Estrela artificial foi enviada para o Espaço e brilha para a Terra

Críticos da iniciativa da empresa neozelandesa dizem que a mesma é má para o estudo astronómico e um mau precedente a nível global.

Foto via Rocket Lab (DR)

O Espaço tornou-se democrático mas nem todos estão satisfeitos com isso. Uma start-up neozelandesa chamada Rocket Lab enviou, no final de Janeiro, para fora da Terra uma estrela artificial. Chamam-lhe a Humanity Star – a Estrela da Humanidade, numa tradução livre. Astrónomos têm outro nome para ela: “graffiti espacial”.

Esta Humanity Star é uma esfera de um metro de altura, feita em fibra de carbono e com 65 painéis espelhados à sua volta. No Espaço, vai andar às voltas e reflectir a luz do Sol, ou seja, ao contrário das estrelas naturais, não emite a sua própria luz. A empresa diz que “é o objecto mais brilhante no céu nocturno”, sendo visível a partir da Terra, fazendo órbitas de 90 minutos em redor desta. Através do mapa disponível no site oficial da estrela, podes saber a qualquer momento onde ela está em relação à superfície da Terra, e ainda a sua altitude e velocidade.

Site oficial da Humanity Star

Será que é mesmo o objecto mais brilhante no céu nocturno, como afirma a Rocket Lab? Especialistas ouvidos pelo Quartz dizem que é possível, mas lembram que outros satélites, como a Estação Espacial Internacional, podem também ser vistos a partir da Terra, a olho nu, quando o Sol bate nos seus painéis solares e noutras estruturas reflectoras.

A Humanity Star pode estar embrulhadas num marketing mais robusto, perfeito para ter hype na internet, mas não seria correcto dizer que é a primeira estrela artificial. Um satélite japonês com um design semelhante – e chamado AJISAI – está no Espaço desde 1986 e, apesar de não ser tão brilhante como esta construção da Rocket Lab, pode ser visto a partir do nosso planeta.

Foto via Rocket Lab (DR)

“Independentemente do que possa estar a acontecer no mundo, na riqueza ou na pobreza, em conflicto ou na paz, toda a gente vai poder ver a brilhante Humanity Star a orbitar a Terra no céu nocturno”, refere Peter Beck, CEO do Rocket Lab, numa nota publicada no site da estrela. “O meu desejo é que toda a gente que olhe para a Humanity Star possa ver além da expansão do Universo, sinta uma ligação entre ela e o nosso lugar, e pense um pouco diferente sobre as nossas vidas, acções e o que é importante.”

Apesar do entusiasmo de Beck, alguns astrónomos criticaram esta iniciativa da Rocket Lab, considerando o objecto lançado “graffiti espacial” – as palavras são do norte-americano Mike Brown e foram partilhadas num tweet. Já Caleb Scharf, director de astrobiologia na Universidade da Colômbia, considera a Humanity Star “outra invasão do meu universo pessoal, outro objecto intermitente a pedir a atenção”, conforme escreveu num artigo na revista Scientific American. “Lixo espacial” e “vandalismo” foram outros termos partilhados na internet, e críticos da iniciativa da empresa neozelandesa dizem que a mesma é má para o estudo astronómico e um mau precedente a nível global.