Sabias que a dona da Google e a Uber estão frente a frente em tribunal?

A Waymo, empresa do grupo Alphabet/Google, acusa a Uber de uma elaborada artimanha para roubar informação confidencial sobre os seus projectos de condução autónoma.

Google Uber
Um dos carros autónomos mais característicos da Waymo/Google (DR)

O motivo envolve os respectivos negócios de condução autónoma. A Waymo, empresa do grupo Alphabet/Google, está a acusar a Uber de ter contratado um engenheiro de topo seu – Anthony Levandowski para, dessa forma, ter acesso ao “molho secreto” dos projectos internos de condução autónoma, permitindo-lhe apanhar o passo da concorrência.

Advogados em representação da Waymo e da Uber estiveram esta segunda-feira em tribunal a defender as suas empresas. A Waymo diz que, quando Anthony Levandowski decidiu deixar a empresa com alguns colegas e fundar a Otto, descarregou informação confidencial. Só Anthony terá levado da Waymo para a Otto 14 mil ficheiros internos sobre projectos de condução autónoma, sem qualquer autorização. As suspeitas da Alphabet sob a Uber terão começado por causa de uma troca de e-mails, que terá revelado uma grande semelhança entre o projecto de uma fornecedora da Uber e aquele que a dona da Google estaria a desenvolver.

Acusação da Waymo
Defesa da Uber

A Uber rejeita qualquer tipo de espionagem industrial, alegando que não fez nada de errado quando contratou o engenheiro em Agosto de 2016 e lhe pagou 680 milhões de dólares pela sua start-up Otto. A empresa afirma ainda que a sua tecnologia de sensores é diferente da usada pela Waymo e que foi desenvolvida antes da chegada do engenheiro. A dona da Google defende que a aquisição da Otto terá servido pela Uber para encobrir a utilização de designs roubados. A empresa da Alphabet refere ainda que a Uber estava preocupada com não conseguir apanhar a corrida pela condução autónoma, pelo que terá atalhado roubando informação interna da Waymo.

A Uber defende-se dizendo que a acção judicial da Waymo não tem fundamento e que existe apenas porque está preocupada com a perda de talento importante, numa altura em que as empresas concorrentes começaram, cada uma, a ganhar terreno. Se a Uber perder o caso, terá de recompensar a Waymo pelos 1,9 mil milhões de prejuízos causados e eventualmente de cancelar os seus planos na área de condução autónoma.

Acusação da Waymo
Defesa da Uber

Para a Waymo, perder o caso teria graves consequências na reputação da empresa. De notar que a Alphabet raramente – se alguma vez o fez – processa pessoas ou outras empresas seja por o que for, o que valoriza ainda mais esta disputa em tribunal contra a Uber.

Como qualquer caso judicial, especialmente entre duas empresas, é bem complexo e podes saber mais sobre ele lendo os slides das apresentações da Waymo e da Uber em tribunal, disponíveis aqui e aqui.

A Waymo é o braço da Alphabet/Google dedicado à condução autónoma. Esteve em Lisboa na última edição do Web Summit para anunciar a próxima etapa para os carros autónomos: torná-los  e acessíveis às pessoas comuns. A história da Waymo começa em 2009, dentro da Google, com a designação “Google Self-Driving Car Project”. Ao longo dos anos, a Google/Waymo tem vindo a desenvolver e a aperfeiçoar a tecnologia de condução autónoma, e a promover alguns pilotos. A Uber só entrou neste mundo em 2015.

 

 

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