Vem descobrir o Alentejo em fins-de-semana gratuitos de música, património e biodiversidade

O Terras Sem Sombra decorre em vários concelhos do Baixo-Alentejo, entre Fevereiro e Julho. É a 14ª edição deste festival.

Festival Terras Sem Sombra
Foto de Paulo Valdivieso/Flickr

Chama-se Terras Sem Sombra e é um festival que vai para a sua 14ª edição este ano. Surgiu em 2003 para divulgar o património esquecido do Alentejo, mas ao longo dos anos foi-lhe adicionada a vertente de música e biodiversidade. O Terras Sem Sombra arranca em Fevereiro em Vila de Frades e vai percorrer Serpa, Odemira, Mértola, Ferreira do Alentejo, Beja, Elvas, Barrancos, Sines e Santiago do Cacém até Julho. A entrada é gratuita.

A apresentação da 14ª edição do Terras Sem Sombra decorreu na Embaixada da Hungria. Porquê? Porque todos os anos, há um país que ajuda na curadoria dos artistas e projectos que integram a programação do festival e neste 2018 cabe à Hungria essa tarefa. No ar, entre os presentes, sentia-se um carinho especial pelo festival. Afinal de contas, este pode ser um evento pouco conhecido, mas, como a generalidade dos eventos poucos conhecidos, propaga um certo amor entre todos aqueles que o conhecem e fazem parte dele, ano após ano.

Este ano, o número de concelhos participantes no Terras Sem Sombra aumentou para dez, com a incorporação de novos municípios, como Barrancos e Elvas, e o regresso a Mértola e à Vidigueira. Assim, os concelhos visitados em 2018 são Vidigueira, Sines, Santiago do Cacém, Ferreira do Alentejo, Odemira, Serpa, Mértola, Barrancos, Elvas e Beja.

As temáticas de valorização do património e da salvaguarda da biodiversidade ganham mais relevo nesta edição, com uma programação que abre as portas de quintas, conventos, moinhos, adegas e herdades, entre outros locais de património material e imaterial, propondo um olhar diferente sobre o Alentejo e as suas fragilidades.

Foto de Paulo Valdivieso/Flickr

No campo cultural e musical, o foco é a chamada “arte sacra” e “música erudita”. Uma oportunidade para conhecer novos horizontes, num diálogo entre Portugal e Hungria, onde também participam os Estados Unidos e a Espanha.

A programação de música conta com cinco concertos “centro-europeus”, que são complementares entre si. Dois deles estendem laços afectivos e musicais a Portugal. Num, sublinham-se as relações entre algumas obras do compositor Fernando Lopes-Graça (nome de um dos palcos do Bons Sons) e as canções populares húngaras em que se inspirou, pondo lado a lado, com a garantia interpretativa da Academia Liszt, artistas lusos e húngaros. No outro, o de Vena Piano Trio – a pianista, Andrea Fernandes, é portuguesa e colabora com a Ópera de Budapeste, ao passo que a violinista e a violoncelista, Erzsebet Hutas e Kamila Słodkowska, são, respectivamente, húngara e polaca. Associa-se a este concerto o compositor Eurico Carrapatoso, partilhando o programa com Kodály e Chopin. O coro de câmara Vaszy Viktor oferece um repertório de música sacra, do século XIX aos nossos dias. Quanto aos dois concertos restantes, o protagonismo recai sobre a Academia Liszt: um resulta da participação de alunos finalistas, oriundos de todos os países do Grupo de Visegrád, que interpretam obras de compositores afins, mormente Dvorák, Janácek, Chopin e Kodály; o concerto final é dedicado à música contemporânea húngara, apresentando peças de Kurtág, Bartók e Eötvös, a par das de mestres das novas gerações. Por sua vez, o pianista Artur Pizarro dedica o seu concerto a Liszt e a um dos grandes discípulos e amigos do virtuoso maestro húngaro, José Vianna da Motta. Esta sólida relação húngaro-portuguesa vê-se reforçada pelo concerto do Ludovice Ensemble (Barrancos), sob a direcção de Fernando Miguel Jalôto.

O concerto da jovem pianista americana Pauline Yang – que aos 11 anos já dera um recital no Carnegie Hall, de Nova Iorque, é uma peregrinação por obras-primas do piano. De Espanha, chega-nos um invulgar concerto de órgão, trombeta histórica e percussões, pelo trio formado por Vicente Alcaide, Abraham Martínez e Alvaro Garrido. Além de tudo isto, um concerto realizado em co-produção com a Universidade Autónoma de Madrid evoca o Canto corso, que tantas semelhanças apresenta com o Cante alentejano, trazendo a Beja o ensemble vocal Barbara Furtuna. Trata-se do primeiro fruto de um protocolo pioneiro, estabelecido entre o festival alentejano e o Centro Superior de Investigación y Promoción de la Música daquela universidade.

O festival começa no fim-de-semana de 17 e 18 de Fevereiro em Vila de Frades. Cada parte do Terras Sem Sombra realiza-se num concelho diferente e num fim-de-semana. O Terras Sem Sombra é organizado pela Associação Pedra Angular e promete revelar, através da sua programação, o que há de mais fascinante nos territórios que visita, dos centros históricos às áreas rurais, da vida selvagem às tradições locais.

Fotos de Paulo Valdivieso/Flickr