Utilização do Facebook diminuiu, mas ninguém está preocupado

As pessoas passaram menos 50 milhões de horas por dia no Facebook. Uma diminuição de 2,14 minutos por dia e por utilizador.

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Depois do anúncio de que o Facebook vai dar prioridade aos conteúdos de amigos e família em detrimento das empresas, já houve várias manifestações de opiniões diferentes. O objectivo da mudança no algoritmo é tornar a rede mais saudável. O Facebook prevê que as alterações, relevadas no início deste 2018, levem a um decréscimo no tempo de utilização, mas o facto é que outros ajustes já feitos ao algoritmo do News Feed já revelaram essa tendência. O tempo passado pelos utilizadores no Facebook sofreu um decréscimo de 5%.

A CNN aponta um possível motivo: a menor quantidade de vídeos “virais” no feed. “Ainda no último ano, fizemos mudanças para mostrar menos vídeos virais para garantir que o tempo das pessoas é bem gasto. Fizemos mudanças que reduziram o tempo passado no Facebook em sensivelmente 50 milhões de horas, todos os dias, revelou Mark Zuckerberg. O relatório do último trimestre do ano passado ainda dá conta da primeira diminuição no número de utilizadores diários nos EUA e no Canadá.

We just announced our quarterly results and community update. Our focus in 2018 is making sure Facebook isn't just fun,…

Publicado por Mark Zuckerberg em Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2018

No entanto, o director financeiro da empresa explicou que se trata de uma reação do mercado e que, por isso, não se espera que seja recorrente. O ambiente é de alguma indecisão entre a melhoria dos indicadores e também o combate às fake news e filtros-bolha. “Temos a responsabilidade de compreender na totalidade a forma como os nossos serviços são usados e de fazer tudo o que podemos para amplificar o bem”, explicou Zuckerberg.

Um acto de compaixão? Ou estratégia a longo prazo?

Isto parecem maus indicadores para a empresa, mas até pode não ser bem assim. Josh Constine, editor do TechCrunch, refere que “a vontade do Facebook em promover o bem-estar é pouco usual entre estas grandes empresas”. “Há quem encare como um acto de compaixão. Outros acreditam que é uma estratégia a longo prazo para prever um movimento de deixar de usar o Facebook, que poderia custar muito mais do que uma redução no tempo passado no site”, explicou.

O artigo explica ainda que os investidores e anunciantes confiam que as alteração vão ser proveitosas. Apesar de o tempo passado no Facebook diminuir, há uma melhoria na intensidade das interações e engagement – que poderá levar a uma menor sensibilidade perante os preços. A estratégia poderá levar a preços mais altos cobrados pelo Facebook por esses anúncios.

Embora toda esta tese pareça encaixar na perfeição e ser win-win, há algumas preocupações que podem ser ressaltadas com o aumento do poder dos anúncios e a filtração/segmentação sofisticada do mercado. Em Portugal, o novo player Nónio já levantou algumas destas questões.