Não só de emissões fósseis é feita a poluição do ar. Pode começar no nosso perfume

Produtos como pesticidas, revestimentos, tintas de impressão, adesivos, produtos de limpeza e produtos de cuidado e higiene pessoal são também culpados.

Foto de Vesa-Pekka Latvala via Unsplash

Quando pensamos naquilo que mais polui o ar que respiramos, é muito provável que a nossa mente vá de imediato para as emissões de combustíveis fósseis. O que é verdade, claro. Mas agora que estas emissões começam a entrar em declínio, outros factores responsáveis pela qualidade do ar e consequentemente os seus efeitos na nossa saúde ganham importância.

As reacções químicas que acontecem na atmosfera a partir de um grupo de centenas de moléculas são conhecidas como “compostos orgânicos voláteis” (COV). Estes compostos são produzidos principalmente pelo homem (emissões de dióxido de carbono), mas também há emissões naturais de COV quando são produzidos por organismos ou processos biológicos (aqui entra, por exemplo, o metano produzido pelo sector pecuário e, em contraste, o agradável aroma produzido por flores e plantas para comunicarem entre si e com os animais).

Nas últimas décadas os esforços foram concentrados em reduzir as emissões de dióxido de carbono produzidas pela indústria automóvel, com avanços tecnológicos e com regulações ambientais mais apertadas.

Agora que se está a ver o efeito destas medidas e os COV provenientes de combustíveis fósseis são menores, um novo estudo verificou que, relativamente, produtos químicos usados quer industrialmente, quer por nós enquanto consumidores particulares, formam metade dos COV a que podemos estar expostos. Produtos como pesticidas, revestimentos, tintas de impressão, adesivos, produtos de limpeza e produtos de cuidado e higiene pessoal são os culpados.

Mas são talvez os dois últimos aqueles que mais nos dizem respeito e sobre os quais temos maior poder de decisão na hora da compra. Sentimos, por exemplo, o cheiro de perfumes, dos detergentes para a casa, de uma vela perfumada ou de ambientadores, porque, ao serem usados, os compostos libertados evaporam depressa. Mas também é assim que os seus COV passam para o ar, tornando estes produtos químicos do dia-a-dia uma fonte emergente de poluição do ar em zonas urbanas.

Afectado é tanto o ar ambiente do exterior como o do interior de edifícios de habitação ou comerciais. E visto que passamos a maior parte do tempo em casa ou no trabalho faz sentido tentar limitar a nossa exposição a estes químicos.

Optar produtos de limpeza sem cheiro ou naturais (bicarbonato de sódio com vinagre faz maravilhas!) e reduzir o consumo de fragrâncias artificiais são um bom começo. Ter determinadas espécies de plantas em casa também ajuda absorver estes compostos químicos do ar.

O estudo mostra que para diminuir a poluição do ar torna-se cada vez mais importante ter em consideração os compostos orgânicos voláteis usados diariamente, quer em modelos de poluição do ar, quer em acções reguladoras.