China está a editar genes humanos para curar cancros e outras doenças

Desde 2015, pelo menos 86 pacientes chineses tiveram os seus genes modificados. Técnica vai agora ser testada nos Estados Unidos.

China curar cancro
Foto de Geir Mogen/NTNU via Flickr

A China começou a experimentar com a edição de genes humanos há cerca de 2/3 anos, através do projecto CRISPR, tornando-se o primeiro país do mundo a avançar neste sentido. De acordo com o Wall Street Journal (WSJ), desde então o CRISPR tem sido utilizado no tratamento de doenças, como o cancro.

Pelo menos 86 pessoas terão tido os seus genes modificados através do CRISPR, técnica que deverá começar a ser testada nos Estados Unidos em breve. A China conduziu pelo menos 11 ensaios clínicos usando o CRISPR — Um desses testes, refere o WSJ, começou um ano antes das primeiras notícias sobre o CRISPR na imprensa internacional. Ou seja, a China terá começado a editar genes humanos em 2015 e não em 2016.

Os avanços rápidos dos chineses na alteração artificial da composição genética de indivíduos é resultado da regulação branda que existe naquele país e da vontade de estar na linha da frente da investigação neste campo, apesar dos efeitos desconhecidos e das preocupações de segurança, que são significativas. Um artigo recente, por exemplo, sugere que o CRISPR pode desencadear uma resposta imune na maioria dos pacientes, podendo tornar os eventuais tratamentos ineficazes ou perigosos.

Segundo o WSJ, o CRISPR já foi usado na China para curar cancros de rim, pulmão, fígado e garganta, sida/HIV ou leucemia. Os tratamentos passam pela remoção das células doentes, a sua modificação artificial e, por fim, o seu regresso ao corpo do paciente. Neste 2018, a China prevê tratar 16 pessoas pelo CRISPR. Nos Estados Unidos, o primeiro teste está prestes a arrancar na Universidade da Pensilvânia e contará com 18 pacientes, sendo o objectivo primário avaliar a segurança do CRISPR.

Ao contário dos Estados Unidos, a China permite que o comité de ética dos hospitais aprovem a investigação em humanos, o que pode acontecer numa simples tarde.