A Bitcoin traz riscos, mas serão assim tão novos para a banca?

Uma sucessão de eventos no banco holandês Rabobank mostra como o problema não está simplesmente na moeda em que é feita a transação.

Comecemos pelo princípio, ou melhor, por um principio: este artigo não é uma defesa das criptomoedas enquanto activo financeiro; é, apenas e só, uma constatação da semelhanças entre dois mundos, que se tentam distanciar ao máximo um do outro, e o assinalar de um paradoxo, que muitos se esforçam por esconder mas que o suceder de acontecimentos fez emergir.

Foi no dia 2 de Fevereiro que as notícias vindas da Holanda davam conta da decisão de uma das maiores instituições financeiras do país, o Rabobank, em não aceitar serviços ou transações com criptomoedas, mais concretamente com bitcoins. A motivar esta decisão estão, segundo um porta-voz do banco, os altos “riscos de conformidade” associados a esta moeda. Isto é, a possibilidade de ao permitir transações com criptomoedas o banco se ver envolvido em negócios de lavagem de dinheiro ou outros esquemas semelhantes.

Passado pouco mais de uma semana, a realidade mostra claramente como os” riscos de conformidade” não são, de todo, um perigo exclusivo das novas tecnologias, com o Rabobank a ser multado em tribunal em perto de 300 milhões de euros pelo seu envolvimento num esquema de lavagem de dinheiro, proveniente de uma rede de tráfico de droga mexicana.

Em causa está a acção da subsidiária californiana do banco holandês entre 2009 e 2012, que permitiu a transferência de milhares ou milhões de dólares de contas com proveniência desconhecida. A dar aso a todo este caso estarão três altos executivos do banco que à data ignoraram os avisos e recusaram proceder à investigação suscitada pelos reguladores norte-americanos.

Menos de dez dias depois de alertar para o risco de associação à Bitcoin, o Rabobank vê-se multado num dos maiores valores da história do universo financeiro – menos que os 1,9 mil milhões do HSBC mas ,ais do que os 160 milhões do Wachovia Bank –, por ter possibilitado transacções ilícitas em dólares.

Apesar da posição actual do banco contra as criptomoedas ser expectável e transversal a outros bancos, torna-se curiosa a sucessão de eventos que mostra como o problema não está simplesmente na moeda em que é feita a transação e que, apesar de a Bitcoin ser das únicas a promover o anonimato, esse factor pode muito bem ser substituído pela complacência ou negligência humana.

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