É no online da RTP que há espaço para a experimentação. Através da iniciativa RTP Lab, a estação pública tem investido e apoiado projectos audiovisuais inovadores, que exploram conceitos fora da caixa que é tradicionalmente a televisão. Appaixonados, com estreia prevista para este mês de Fevereiro, é um desses projectos.

É uma websérie como Amnésia, #CasaDoCais e Subsolo, que já podem ser vistas na plataforma de streaming RTP Play e no canal de YouTube da RTP. Criado por Guilherme Trindade e João Harrington Sena, que já tinham colaborado no telefilme Offline, a oportunidade para dar luz a Appaixonados surgiu de uma consulta de conteúdos promovida pela RTP. “Estavam à procura de formatos inovadores, especialmente focados em multiplataforma ou interactividade”, explicou Guilherme ao Shifter. “Eu e o João apresentámos quatro projectos. Gostaram de vários e o Appaixonados acabou por ser aquele em que queriam investir mais.”

Appaixonados é uma comédia ajustada aos tempos modernos em que os encontros amorosos são proporcionados por apps no telemóvel. A história vai seguir Ana Amorim (interpretada por Solange Santos), uma jovem solteira que, um anos após o fim de uma longa relação, decide conhecer alguém e instala uma app chamada Appaixonados. O objectivo desta série é “explorar este mundo dos encontros românticos na era digital e das apps como o Tinder”, explicou Guilherme. “Toda a gente, em princípio, já teve maus encontros, porque é uma coisa logo à partida pouco orgânica, pois é uma pessoa a combinar qualquer coisa com um estranho para se tentarem conhecer”, acrescentou.

Foto via Appaixonados/RTP

Ao longo de 12 episódios, de 5 minutos cada, Ana vai ter 12 encontros. Com quem? Ela não sabe, Guilherme também não. “Todas as semanas, há um novo conjunto de elegíveis solteiros e solteiras, possíveis encontros para a Ana, e as pessoas podem votar em quem querem”, descodificou Guilherme, que assina a realização e o argumento de Appaixonados.

As votações poderão ser feitas através da aplicação Appaixonados, a mesma que aparece na série e que o espectador poderá descarregar para iPhone e smartphones Android. Swipe para a direita para dizer sim, swipe para a esquerda para dizer não. “É quase como nós pegarmos no Tinder de um amigo e a fazer nós o swipe por ele e a marcar os encontros”, comparou Guilherme, adiantando que “à partida existirão três candidatos a cada semana”.

As votações através da aplicação estarão abertas entre terça-feira, que é quando sai um novo episódio, e quinta-feira, sendo os episódios escritos e gravados no período seguinte, consoante as votações. “É uma oportunidades para as pessoas torcerem pelas suas personagens favoritas”, mas podem também sabotar a narrativa. “Há várias personagens que gostava de ver que química é que poderiam ter com a Ana, mas o engraçado de um formato interactivo é que essa escolha é-me retirada.”

“Usando a app a pessoa está dentro de uma espécie de meta-ficção até porque a app é muito semelhante ao que uma app de dating a sério.” Tão semelhante que enganou a própria Google, contou Guilherme. “Quando submetemos, fizémo-lo como uma app de entretenimento e eles insistiram que fosse uma app de dating.”

Foto via Appaixonados/RTP

Guilherme e João criaram um universo variado de 17 personagens que, ao longo da série, vão não só aparecer nos encontros de Ana como possivelmente interagir umas com as outras noutros contextos. Irá Ana ficar com Rui Ventura (Duarte Gomes), um tímido escritor? Cassandra Morrigan (Sofia Arruda), uma gótica nihilista? Uma mafiosa (Rafaela Jacinto)? Uma youtuber (Brienne Keller)? Um par de auto-proclamados “gajos bons” (João Harrington Sena e Mauro Hermínio)? Ou até mesmo Sérgio Montes, o fundador da app Appaixonados, que passou de debitador de código a milionário quase da noite para o dia, e que, já agora, quer usar a app para encontrar o amor.

“A Ana é uma pessoa que está muito desorientada mas que quer desesperadamente fazer qualquer coisa para se levantar do chão, o que para mim é admirável”, comentou Solange Santos, a actriz que vai dar vida a Ana Amorim. “Do que já gravei, é uma pessoa que considero inteligente e que, às vezes, tem um ponto de vista bastante acutilante sobre si própria, o que eu aprecio. Não se leva a sério, mas leva o seu bem estar a sério.”

Enquanto que todas as outras personagens estão muito bem definidas (podes consultar os detalhes sobre cada uma aqui), a protagonista foi pensada para ser mais universal, permitindo a sua identificação com o público, e vai ser construída ao longo das 12 semanas, com o decurso dos encontros amorosos. “Vai ser curioso vê-la a dar uma oportunidade a algumas das personagens, passando por cima dos estereótipos”, acrescentou Solange.

A construção (ou, melhor, a revelação da protagonista) dependerá também da sequência de encontros que ela terá. Imagina que a Ana tem uma experiência muito boa com uma pessoa no início da série mas continua a querer explorar os horizontes, a interacção dela com as outras pessoas que vierem a seguir vai ser diferente. Ou se for muito mau, ela depois vai estar na defensiva”, explicou Solange.

Para já, Ana faz lembrar quem, por exemplo, “durante a faculdade, conhece alguém, está com ela muito tempo e, quando está solteira, novamente está-lo num mundo completamente diferente daquele onde esteve solteira pela primeira vez”, acrescentou Guilherme. “Quando ela ainda era solteira, isto dos encontros era uma coisa completamente diferente”. “E não só”, interrompeu Solange. “Depois de passar não sei quantos anos só virada para uma pessoa, é mais difícil depois recomeçar, já perdeu uma quantidade de ligações e de círculos sociais.”

Appaixonados estará disponível na RTP Play e YouTube da RTP. O trailer é lançado esta semana e, a partir daí, vão sair alguns vídeos sobre as personagens. Quando sair a app, as pessoas vão já poder votar. “O primeiro episódio já é o primeiro date, por isso as pessoas têm de votar antes”, esclareceu Solange. O design da Appaixonados ficou a cargo da Joana Vieira, tendo a app sido desenvolvida pelo João Tiple com a ajuda da experiência em design de jogos que Guilherme Trindade tem do seu trabalho na Miniclip.

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Actualizado a 21/02/2018 com o trailer e links para as apps.

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