Programador português quer unir todos os transportes públicos nacionais

André Glatzl começou o projecto e procura a ajuda de todos.

transportes Portugal
Foto via @Raulhudson1986/Flickr

Para ir do Aeroporto de Lisboa à Figueira da Foz, existem várias opções, mas o Google Maps só mostra algumas delas. Isto porque só alguns operadores de transporte aceitaram ceder a informação sobre carreiras e horários à Google. Assim, o trajecto que te será mostrado se usares esse serviço incluirá Metro ou Carris em Lisboa e uma ligação de CP entre a capital e a Figueira da Foz, mas é possível também viajar de Rede Expresso.

Esta viagem entre o Aeroporto de Lisboa e a Figueira da Foz é apenas um exemplo familiar a André Glatzl, programador que está a residir na Suíça e que é natural da Figueira. André, que no Reddit assina como @glaand, partilhou neste fórum a sua ideia: “bora unificar os nossos transportes públicos mas com código!”.

“Com cerca de 80 ou mais empresas de transportes públicos não existe a porra de um sistema em que unifique os horários delas todas e que faça a interligação entre rotas”, escreveu. “Pessoal, bora mudar isso. Bora criar uma API que centraliza todos os horários, todas as rotas, todas as cidades, todos os distritos, todas as zonas… e por aí além!!! O objectivo é que o utilizador apenas tenha que introduzir o local de partida e o local de chegada e, com esses dados, a API vai devolver a rota mais rápida com menos mudanças de linhas possíveis, informação para cada transporte e eventualmente o preço.”

Primeira parte do código disponível gratuitamente

André decidiu arregaçar as mangas e começar a bater algum código. O que fez depois foi disponibilizá-lo de forma aberta e livre no GitHub, com a esperança que outros possam interessar-se por esta problemática e também contribuir.

As rotas de transportes públicos que o Google Maps dá são muito limitadas. Na Área Metropolitana de Lisboa, a plataforma integra informação da Carris, do Metro de Lisboa, do Metro do Sul do Tejo, em Almada, e dos comboios da Fertagus, que fazem a ligação entre a capital e Setúbal. A norte, apenas o Metro do Porto está integrado no Google Maps, não sendo possível ter dados dos autocarros da STCP. De resto, só os Transportes Urbanos de Braga e os Serviço de Transportes Urbanos de Viseu estão presentes na plataforma da Google.

A API que André se propôs a começar centralizaria os dados de todas as transportadoras nacionais e poderia, para o utilizador final, ganhar a forma de um site ou app móvel. Sendo disponibilizada em aberto, qualquer pessoa poderia pegar nesta API e criar o seu site ou aplicação, ou utilizar os dados recolhidos de outra forma qualquer.

Mas, até a API chegar a um ponto aceitável, existem inúmeros desafios; por exemplo, como recolher a informação das dezenas de operadores de transporte em Portugal, nomeadamente daqueles que não disponibilizam os horários e percursos digital e publicamente. Numa conversa via chat com o Shifter, André sugere contactar as empresas para obter os dados e/ou apostar numa recolha local. “Imaginemos que os dados apenas estão disponíveis num panfleto. Fazia-se digitalização com o telemóvel do panfleto e o algoritmo iria extrair os dados da imagem. Claro que a tecnologia iria depender da escalabilidade do projecto”, explica.

Procura-se ajuda da comunidade

André procura agora o maior número de programadores interessados em colaborar com o projecto remotamente, através de plataformas como o Slack ou o Skype. “Já preparei a estrutura do projecto para que haja uma base, raiz em que se possa começar a desenvolver o algoritmo em si”, diz. “Em breve irei lançar toda a documentação necessária para haver colaboração organizada”, acrescentou o programador, avançando que para resolver o problema principal – os dados das transportadoras – seria importante juntar programadores de zonas diferentes do país.

Na mesma janela de chat, André confessa que o que lançou foi ainda a ideia e que alguns detalhes, como a monetização, só ficarão definidos no decorrer do projecto, que espera que tenha sucesso. Esse sucesso depende agora de todos. O código do algoritmo, ou seja, da API, vai ser público e estar em constante actualização”, garante, referindo que a forma como esses dados serão visualizados – um site, uma app… – poderá ser algo de iniciativa privada.

No Reddit, André já conseguiu algum apoio. Além de mais de 50 upvotes à hora deste artigo, o utilizador @TheMorphMaster escreveu: “Boa iniciativa, jovem. Vou ver se te consigo ajudar com os horários daqui da minha zona. Mas vai dar trabalho. Recolher e inserir dados. Papel só, acho eu. Tenho que investigar.” Um apoio repetido por @-Nosebleed-: “Excelente ideia OP! Detesto o facto de não existir quase nenhum suporte digital de uso fácil para rotas portuguesas, mesmo até as mais pequenas.”

Bora unificar os nossos transportes públicos mas com código! [Open-Source] from portugal