136 dias depois foi alcançado um acordo de governo na Alemanha

Angela Merkel e Martin Schulz estabeleceram, finalmente, uma plataforma de entendimento para os próximos quatro anos. Depois de muitos avanços e recuos, a coligação estabeleceu que irá reavaliar a parceria ao fim de dois anos.

Angela Merkel Martin Schulz Alemanha
Via Erlebnis Europa/ Flickr

Finalmente há governo na Alemanha. Angela Merkel, líder da CDU alemã conseguiu alcançar um acordo governativo para os próximos 4 anos com o segundo maior partido alemão e aliado crónica nos últimos anos. Acontece que estes últimos meses foram turbulentos na política alemã. Os resultados das últimas eleições não deram a maioria absoluta necessária a Merkel para governar e ao mesmo tempo proporcionaram ao SPD o pior resultado de sempre.

Nas primeiras horas da derrota, Schulz afirmou que seria o principal partido da oposição colocando o selo da indisponibilidade na hora de criar condições de governo. Desta forma, a chanceler alemã foi obrigada a virar atenções para os liberais do FDP e os ecologistas dos Verdes, tentando formar a denominada coligação Jamaica. O processo não foi bem sucedido, levando à estaca zero uma plataforma de entendimento governativo estável.

Depois de avanços e recuos, o líder do SPD cedeu em integrar o novo governo de Merkel, mediante condições indispensáveis. Esta semana surgiram os primeiros resultados destas longas semanas de reuniões. Este acordo de princípio governativo contempla que pastas fulcrais como as Finanças, Negócios Estrangeiros e Trabalho fiquem do lado social democrata. O partido conseguiu ainda os ministérios da Justiça, Família e Assuntos Sociais. Martin Schulz será inclusivé o novo ministro dos Negócios Estrangeiros, deixando a liderança do partido a cargo da actual líder parlamentar do partido, Andrea Nahles.

Naturalmente, além da liderança do Governo, Merkel firma posição nos ministérios da Saúde, Educação, Economia Agricultura e Defesa. Este último consiste numa pasta crucial para a Alemanha nomeadamente na diplomacia comunitária.

Para o acordo definitivo ficar selado, apenas falta a aprovação por parte dos sociais democratas num congresso que promete ser animado. A vontade de voltar a coligar-se com a CDU não é unânime, sobretudo pelo resultado desastroso no último ato eleitoral, que desta forma abriu diversas facções dentro do próprio partido. Com vista a amenizar as sensibilidades, a liderança do SPD inclui no acordo de governo a premissa de reavaliar a coligação ao fim de dois anos. Assim, se primeira metade da legislatura não for satisfatória para o partido, este pode abandonar a coligação e provocar eleições antecipadas.

É de salientar que com a transição do SPD de oposição para governo, o partido de extrema direita AfD assume-se como o principal partido de oposição no Bundestag.