Turistas de costas voltadas para as prostitutas em Amesterdão

A autarquia de Amesterdão anunciou, esta quarta-feira, novas medidas a serem implementadas no Red Light District. As novas regras entram em vigor em Abril e têm como objectivo defender as prostitutas de olhares e palavras desagradáveis.

Amesterdão De Wallen
De Wallen / Fotografia por Marco Brandão

Amesterdão, conhecida por muitos viajantes como a “cidade europeia do pecado”, tem como uma das suas principais atracções o bairro De Wallen, mais conhecido por Red Light District. Uma zona famosa pela prostituição legalizada, montras brilhantes e um intenso cheiro a erva. Até aqui de livre acesso, as visitas guiadas de grupo ao Red Light District vão começar a ser sujeitas a regulação.

As novas medidas, definidas pela autarquia de Amesterdão, obrigam os visitantes a estarem de costas voltadas para as montras enquanto ouvem as explicações dos guia turísticos. O objectivo é evitar os olhares prolongados e por vezes desagradáveis. Para além de fotografias – embora já sejam proibidas há muito –, e comentários incómodos, aos quais as prostitutas estão sujeitas diariamente, nas mais de 290 montras expostas Red Light District.

“O que propomos é que os grupos fiquem de costas viradas para as montras enquanto ouvem o guia. Podem olhar, claro, são livres de o fazer. Isto não é uma lei, é um regulamento. Mas nós tentamos elucidar as pessoas, para que não olhem de forma fixa ou continuada”, disse Vera Al, porta-voz da Câmara Municipal de Amesterdão, citada pelo jornal El Mundo.

Menos bicicletas na Red Light District

As medidas, anunciadas esta quarta-feira, pretendem também reduzir o congestionamento das ruas do bairro de Amesterdão. Foram apresentadas também uma série de restrições à circulação de bicicletas e segways, bem como garantir uma convivência equilibrada entre turistas e moradores, segundo o El País.

Não era permitido fotografar as prostitutas, nem conversar com elas, sendo que agora também não será possível observá-las continuamente. O principal objectivo desta regulamentação é incutir o respeito pelas mulheres, principalmente aos turistas estrangeiros. Por vezes incapazes de interagir naturalmente com a realidade holandesa, entram em jogos ordinários e preconceituosos com as prostitutas. Por isso, a partir de Abril, os turistas que param para ouvir os guias junto ao local terão de se virar de costas para as prostitutas.

Guias turísticos mais controlados em Amesterdão

As diretrizes vão entrar em vigor em Abril. Os guias também não podem levar grupos de mais de 20 pessoas. Por último, precisarão de uma licença para circular no local, no valor de 100 euros e com validade de um ano e meio. Caso não cumpram as indicações, no caso de guias ilegais, a consequência é uma multa de 190 euros. “Se o fizerem em nome de uma empresa, serão 950 euros. Depois de três sanções, perdem a licença” explica Udo Kock, vereador da economia. “Se queremos que De Wallen continue a ser um bairro habitável, os grupos de turistas não podem ser grandes”, acrescentou.

Em 2017, apenas 40% dos guias turísticas assinaram um acordo voluntário. O objetivo é orientar os turistas no sentido de respeitar e não intimidar as trabalhadoras do sexo. A autarquia de Amesterdão reconhece que será difícil mas irá apostar no reforço de vigilantes e posteriormente fará uma avaliação acerca dos resultados destas medidas.

Em média, 31 mil visitantes por semana visitam o Red Light District – ou bairro de De Wallen. O município pretende ainda limitar as visitas guiadas até às 23 horas.