O som de Aleyska é uma mistura para nos lembrar o Verão

Uma melancolia aguçada com tons ensolarados da Califórnia

Justin Higuchi/Flickr

“Mainland”, “Great Country” ou “Great Land” são alguns dos nomes dados ao estado norte-americano de Alaska (Alasca em português); que também o nome da cantora, compositora e guitarrista Alaska Reid. O nome Alyeska vem da forma arcaica como Alaska era denominado e também serviu para dar nome à sua banda. Alyeska é um trio de Los Angeles, liderado por Alaska Reid, a quem se juntou Ben Spear na bateria e Enzo Scardapane no baixo.

Seu som segue aquilo que se espera de um Rock Alternativo de Los Angeles com um ar meiguinho e actual. Fazem uma música trabalhada dentro desse estilo, com guitarras sujas, melodias fora do óbvio, sons alternativos (às vezes até infantis) e a voz da cantora, a rainha da banda, ligando e dando personalidade a toda essa adição.

Depois de alguns singles, seu disco de estreia Crush chegou ao mundo em Abril de 2017 trazendo a faceta complexa que Alyeska antes apresentava nos EPs. A música soa a algo entre uma melancolia aguçada com tons ensolarados da Califórnia.

Musicalmente, o álbum é corajoso e cheio de vigor juvenil. Os clímax anthemic são arrepiantes, mas uma calma e facilidade ainda permanecem durante esses momentos.

A música de abertura, “Ribs And Greens”, dá uma introdução directa a som de Aleyska, uma espécie de indicação para um som energético mas com intimidade.

Entretanto, “Tilt-a-Whirl”, principal single do álbum, representa o veraneio, intimidade e a beleza da banda. A música é brincalhona, cheia de namoricos, e captura uma espécie de inocência jovem sobre o carinho. As vezes fazem lembrar toques dos portugueses Best Youth e We Trust.

A música tem um lado muito pessoal e íntimo e reflecte a intimidade, o destemor e a cativação com inspirações de Sharon Van Etten e Angel Olsen, como Reid comenta sobre as origens desta música numa entrevista ao Stereogum:

“Tilt-A-Whirl” é uma ode para uma pequena feira do condado na minha cidade. Os meus amigos e eu esperávamos ansiosamente todos os anos para podermos ir, víamos os miúdos por quem estávamos apaixonadas, gritávamos de susto por causa dos trabalhadores da feira, ou pela forma como os nossos pés ficavam todos sujos de poeira nos seus chinelos amarelos. Ríamos incomodamente com os pósteres porno dos trabalhadores nas suas máquinas e cabines e com o estado de podridão de seus dentes. E depois havia as diversões— The Zipper, The Hurricane e meu favorito, o Tilt-A-Whirl.”

Em “Lilacs” a música é subjugada ou apagada dos pontos altos instrumentais, mas os vocais de Reid flutuam sobre a instrumentação. Sinto a sua voz bastante embriaga, especialmente quando a banda está num tom mais baixo e a sua voz se destaca.

Seus vocais melados surpreendem em “Honest”, uma música introspectiva cheia de memória e remorsos. As guitarras cristalinas e a percussão orquestrais são delirantes e transformam esta balada num baloiço crescente.

Eu acredito que como Van Etten, Olsen e muitos outros, a popularidade de Alyeska irá crescer ao longo do tempo e terá um público muito específico. Crush não é um álbum para ouvir na rádio; é um registro destinado a dar sussurros melancólicos nos ouvidos com uns beats de rock alternativo.

O salto de qualidade das músicas anteriores para as de Crush servem de motivação também para mantermos os olhos em Alyeska, que mostra ter pica para percorrer caminhos ainda mais fixes em 2018.