Alemanha está a considerar transporte público gratuito para reduzir a poluição

Autocarros, metro e comboios gratuitos serão testados em cinco cidades alemãs: Bona, Essen, Herrenberg, Reutlingen e Mannheim.

Alemanha transporte gratuito
Foto de Marc Strauch via Flickr

Melhorar a qualidade do ar e reduzir o trânsito automóvel são duas metas que a Alemanha espera alcançar em cinco cidades até ao final do ano, nas quais vai tornar o transporte público gratuito. Bona, a antiga capital alemã, Essen e Mannheim estão entre as cidades que serão abrangidas pelos testes.

“Estamos a considerar transporte gratuito sem custos para reduzir o número de carros privados”, escreveram três ministros do Governo alemão, incluindo Barbara Hendricks, que detém a pasta ambiental, numa carta enviada à Comissária Europeia do Ambiente, Karmenu Vella, à qual a agência AFP teve acesso. “Efectivamente, lutar contra a poluição atmosférica sem atrasos desnecessários adicionais é a mais alta prioridade para a Alemanha”, acrescentaram os ministros do Ambiente, Agricultura e Assuntos Especiais.

A proposta vai ser testada até “ao final deste ano, o mais tardar” em cinco cidades alemãs – Bona (300 mil habitantes), Essen (570 mil), Herrenberg (31 mil), Reutlingen (115 mil) e Mannheim (300 mil). Se a medida provar ser eficaz e economicamente viável, a ideia é alargar o transporte gratuito a outros pontos da Alemanha.

Um peso para as autarquias

O plano de tornar autocarros, metro e comboios gratuitos para todos não é consensual entre as autarquias. A Associação Alemã de Cidades e Municípios refere, num comunicado, que “tal projecto só pode ser encarado numa perspectiva de longo prazo”, uma vez que é financeiramente exigente. “Actualmente, as receitas das empresas de transportes ascendem a 13 mil milhões de euros por ano. É claro que essa mudança teria de ser financiada por todos”, defendem os responsáveis. Na Alemanha, o transporte público urbano está nas mãos das autarquias.

O transporte público é extremamente popular na Alemanha, com o número de viagens a aumentar nas últimas duas décadas, alcançando as 10,3 mil milhões em 2017. Comparativamente a cidades como Lisboa, onde um bilhete de autocarro e metro custa 1,40 euros, o transporte público alemão é mais caro – custa 2,90 euros em Berlim, por exemplo. Mas olhando para Londres, onde são 5,50 euros para andar no metro, é mais acessível.

Outras ideias incluídas na proposta que a Alemanha fez chegar a Bruxelas incluem restrições adicionais nas emissões de frotas de veículos, como autocarros e táxis, zonas urbanas de baixas emissões, incentivos extra para veículos eléctricos e sistemas de carros partilhados.

Foto de Marc Strauch via Flickr