Estado recupera quadro português com quase 600 anos em leilão

A Anunciação, uma obra de Álvaro Pires de Évora, custou 350 mil euros ao Estado português e vai ficar no Museu Nacional de Arte Antiga ao lado dos Painéis de São Vicente.

Álvaro Pires de Évora
Foto via Sotheby's

A Anunciação é uma obra de Álvaro Pires de Évora – uma pintura a têmpera e ouro sobre madeira que terá sido feita algures entre 1430 e 1434. Depois de pertencer a uma colecção privada, foi recuperada pelo Estado português num leilão onde deu 350 mil euros.

O leilão decorreu na noite de quinta-feira em Nova Iorque e, apesar de o valor da licitação ter sido de 280 mil euros, o Estado português acabou por gastar 350 mil dólares, pois foi preciso acrescentar a comissão da leiloeira. O Museu Nacional de Arte Antiga, onde ficará o quadro em exposição, ajudou com uma parte do dinheiro, tendo, para tal, recorrido à verba remanescente da campanha de crowdfunding para aquisição da Adoração dos Magos.

A Anunciação vai integrar agora a exposição permanente do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), tendo um lugar já reservado na sala dos Painéis de São Vicente, segundo revelou o director do museu, António Filipe Pimentel, à agência Lusa. O quadro está apenas sujeito ao “processo natural de importação” e todas as questões técnicas a ele inerentes.

A Anunciação, de Álvaro Pires de Évora

Trata-se, assim, de “uma óptima vitória de nós todos”, sublinhou o director do MNAA, que frisou ser o primeiro Álvaro Pires do museu e um “excelente Álvaro Pires”. O MNAA tinha apresentado formalmente uma proposta à Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) no sentido de a obra ser adquirida pelo Estado português, sustentando a sua relevância para o património nacional.

De acordo com os dados presentes no catálogo da leiloeira Sotheby’s, o quadro estava na posse na família do coleccionador suíço Heinz Kisters (1912-1977), que, depois de o ter vendido ao antigo chanceler alemão Konrad Adenauer (1876-1967), adquiriu-o de novo, mais tarde, aos herdeiros do primeiro chefe de Governo da Alemanha Ocidental.

O cadastro dá conta apenas de duas exposições públicas do quadro: a primeira em Estugarda, na Alemanha, em 1959, integrado numa mostra dedicada a antigos mestres; e, mais tarde, na exposição “Álvaro Pires de Évora: um pintor português na Itália do Quattrocento”, do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em 1994, quando Lisboa foi Capital Europeia da Cultura. Ainda segundo a Sotheby’s, o quadro fez parte dos lotes do leilão da chamada Colecção Konrad Adenauer, realizado pela Christie’s, em Londres, em Junho de 1970, tendo ficado sem comprador.