Porque é que a Apple é diferente? Esta animação explica-nos

A estratégia da tecnológica em achar o seu julgamento superior ao dos consumidores tem provado resultar ao longo dos anos.

Em vez de uma panóplia de produtos, a Apple concentrou-se em três ou quatro categorias de mercado de cada vez; desinveste dos produtos que deixam de fazer sentido e aposta em novos que sejam mais simples e pequenos. A Apple não é uma tecnológica como as outras e compreender a sua filosofia não é fácil, mas esta animação tentar dar-nos uma ajuda.

Segundo o vídeo, muitos podem olhar para a Apple como uma “empresa confusa”, “desorganizada e distraída”, mas a estratégia da tecnológica em achar o seu julgamento superior ao dos consumidores tem provado resultar ao longo dos anos, tomando decisões que parecem não corresponder às vontades das pessoas – remover funcionalidades úteis, como a entrada para auscultadores, negligenciar os seus produtos, como o Mac Pro, ou fazer opções que parecem bizarras, como comprometer a bateria em detrimento de um equipamento mais fino.

Para compreender a Apple é preciso compreender a sua filosofia de que a tecnologia é uma distracção. No seu entendimento, a tecnologia deve ser transparente, isto é, os consumidores não têm de se preocupar com ela – as pessoas não querem saber de RAM ou se está a usar um computador ou telemóvel, querem apenas desenhar, ler ou falar.

Nessa óptica, a preocupação da Apple é fazer equipamentos finos, leves e minimalistas, removendo portas, molduras ou botões.

Por outro lado, e segundo a mesma teoria de que a tecnologia não importa, a Apple fabrica equipamentos que anulam ou tornam obsoletos outros, numa escala em pirâmide que privilegia determinadas categorias acima de outras. Para a tecnológica, o Apple Watch é a tecnologia transparente neste momento.

Fazer equipamentos mais finos, leves e minimalistas foi o objectivo da Apple, mas só agora é tecnologicamente relevante. “Se puderem remover algo que é uma distracção, vão fazê-lo”, explica esta animação produzida pelo canal de YouTube PolyMatter, que tem montada no Patreon uma página para financiamento comunitário.

O vídeo explica que parte do trabalho da Apple é dizer que não e prever o futuro, trabalhando em produtos que só anos mais tarde podem vir a ter a luz do dia. Esses novos lançamentos podem substituir produtos da Apple que hoje são bem sucedidos, como o iPhone. Categorias obsoletas, como o Mac, vão continuar a ter investimento da Apple até ao ponto em que a empresa sentir que exista uma alternativa mais poderosa. Essa situação já aconteceu com o iPod, que desapareceu com o iPhone: “Em vez de criar um melhor iPod, criou algo [o iPhone] que as pessoas nem sequer sabiam que iam querer”, diz-se na animação.

A Apple consegue, assim, manter-se muito focada, em vez de desenvolver dezenas de produtos como as suas concorrentes. Este foco foi introduzido por Steve Jobs quando regressou à empresa que tinha fundado e da qual foi despedido: Jobs definiu que o tempo da Apple seria concentrado em fazer um computador para cada mercado.

A estratégia da Apple tem falhas e pode parecer insensível, como nota PolyMatter. Levou, por exemplo, a tecnológica a chegar tarde ao mercado dos telemóveis grandes. Mas é, segundo o autor do vídeo, “é um risco que tem de tomar” porque “na maior parte dos casos ignorar os consumidores compensou”. A Apple quer investir o seu tempo nas coisas que acha que são importante, colocando tempo e recursos em cada projecto que acha merecedor dos mesmos e planeando à frente. Se houver algo que acham não merecer o seu tempo, desistem disso.