Nem tudo o que parece é. Eis a prova

Um retrato de pernas para o ar de uma pessoa sorridente sem nada de muito estranho. Parece-te normal, certo?

Definir inteligência é difícil e uma das questões mais desafiantes da intersecção entre as ciências sociais e as naturais dedicadas ao estudo do comportamento humano. Encontrar uma definição suficiente para essa abstracção tem sido desafio ao longo de décadas e a sua investigação tem dado lugar a descobertas sobretudo sobre os seus limites ou falhas – porque mais do que um simples conceito, a inteligência é um complexo processo falível em vários níveis.

Temos como inteligência, na perspectiva mais simplista, a capacidade de cada individuo de reconhecer e compreender o mundo que o rodeia, estabelecendo lógicas associativas, entre aquilo que os seus sentidos captam, às quais nos vamos habituando.

Uma das lógicas de mais rápida associação que enquanto humanos desenvolvemos – e, por isso, se tornou altamente intuitiva – tem a ver com o reconhecimento facial de humanos e da sua expressão. Atenta na seguinte foto:

Parece-te normal, certo? Um retrato de cabeças para o ar de uma pessoa sorridente sem nada de muito estranho.

Errado (como podes comprovar no final do artigo). O que se passa neste caso chama-se Tatcher Effect e é uma das ilusões de óptica clássicas mais preponderantes na investigação do cérebro humano. Ganhou este nome por ter sido descoberta em 1980 no Reino Unido, pelo investigador Peter Thompson, durante o Governo de Margaret Tatcher e, desde então, nunca mais perdeu a sua notabilidade, sendo frequentemente referida como uma prova cabal da falência das aparentemente mais básicas faculdades humanas.

Peter Thompson recorreu mesmo a uma imagem da então Primeira-Ministra britânica, mulher conhecida pelas poucas expressões, para comprovar em experimentação a sua teoria. Para ele, e conforme sustentam os resultados, a tríade constituída pela boca e pelos dois olhos é o suficiente para que o cérebro humano processe aquilo que considera ser informação suficiente sobre o indivíduo com o qual é confrontado.

Se, por um lado, esses mecanismo nos permitiram ao longo dos anos evoluir ao ponto de podermos tomar decisões e assimilar conhecimento de uma forma mais rápida e sistemática, não deixa de ser interessante pensar quantas destas falhas não passam incólumes no nosso dia-a-dia.

Quando viramos a foto ao contrário (ou seja, colocamo-la “normal”), este é o resultado:

Um facto curioso sobre este fenómeno: não afecta pessoas que tenham prosopagnosia, isto é, uma incapacidade geralmente congénita de reconhecer expressões faciais. Podes explorar o Tatcher Effect com outras fotos neste site. De seguida, e para não ficares com a dúvida de que esta modelo tem a boca torta, eis a imagem original: