O polémico caso do “muro” do Mosteiro da Batalha

A EN1, que passa junto ao Mosteiro da Batalha, está a colocar em risco o monumento. Para resolver o problema, está a ser criado um muro e jardim vertical junto à estrada. Mas nem todos estão satisfeitos.

Mosteiro da Batalha Portugal
Mosteiro da Batalha

A poluição atmosférica pode ter efeitos prejudiciais para os monumentos históricos – edifícios que aguentaram centenas de anos mas que não escapam aos efeitos nocivos dos tubos de escape. Recorrentemente vemos algumas dessas preciosidades serem limpas, removendo a escuridão das suas paredes de pedra. Mas, às vezes, a prevenção é mais importante.

O Mosteiro da Batalha fica mesmo junto à Estrada Nacional 1 (EN1), que liga Lisboa e Porto e que, mesmo com uma auto-estrada ali ao lado (a A19), apresenta um elevado tráfego automóvel. Além do ruído que a circulação provoca, diminuindo o prazer de uma visita ao monumento, a poluição pode colocar em risco este Património da Humanidade, classificado pela UNESCO.

Com o intuito de preservar o Mosteiro, está a ser construído um muro de betão junto ao mesmo, que será posteriormente preenchido com um jardim vertical, criando uma separação física e visualmente apelativa entre a EN1 e o espaço histórico. É uma resolução para um problema antigo – o desgaste e deterioração do monumento, segundo vários estudos científicos.

A intervenção, que deverá ficar concluída no final de Fevereiro e que custará cerca de 500 mil euros, prevê a plantação de várias árvores e diferentes espécies arbustivas junto à edificação de betão, o que, além do ruído e das emissões de dióxido carbono, promete também resolver a questão das vibrações provocadas pelos 14 mil automóveis que circulam diariamente na principal Estrada Nacional do país. Mas a população não está satisfeita.

De acordo com o SAPO24, os habitantes da Batalha defendem a abolição das portagens na A19, que abriu em 2011 e que pretendia retirar grande parte do trânsito da EN1, contribuindo para a preservação do Mosteiro. Acolocação de portagens fez daquela auto-estrada uma das vias menos utilizadas na região de Leiria. Paulo Baptista Santos, que lidera a Câmara Municipal da Batalha, defende o muro como um passo muito significativo para a protecção do monumento, mas acrescenta que esta solução “não invalida que a Câmara continue a reclamar junto do Governo a abolição ou redução de portagens para os veículos pesados”.