Uma boa mobilidade pode minimizar as desigualdades

A acessibilidade, isto é, uma boa infraestrutura de transporte, não só conecta as comunidades umas às outras, como permite eliminar a pobreza.

[Unsplash]

A facilidade com que as pessoas conseguem chegar a serviços e instituições diz muito sobre a sua posição sócio-económica e bem estar. No fundo, a acessibilidade, isto é, uma boa infraestrutura de transporte, não só conecta as comunidades umas às outras, como permite eliminar a pobreza. Quem o diz são as Nações Unidas e um estudo da Universidade de Oxford.

Apesar de todos os avanços com as comunidades electrónicas e online, as desigualdades persistem no acesso físico aos recursos e oportunidades que estão primariamente concentradas nos centros urbanos. Podemos analisar este problema a uma escala global  – olhando para o mapa que estes investigadores criaram – ou num panorama mais pequeno.

Muito em Portugal se fala agora em “centralização” e “descentralização”, principalmente na necessidade de um maior equilíbrio territorial dos serviços, ao invés de concentrar tudo em Lisboa e também no Porto. Apesar do isolamento que se pode sentir em muitas zonas do interior, nomeadamente em pequenas aldeias, o facto de Portugal está ligado por uma boa infraestrutura rodoviária e também ferroviária permite que tudo esteja próximo.

Tempo médio por transporte [Daniel Weiss and Jennifer Rozier/Malaria Atlas Project/Universidade de Oxford]
É, por isso, que no mapa desenvolvido por estes investigadores de Oxford Portugal aparece com uma boa classificação – os serviços e instituições são acessíveis –, ainda que se note uma diferença entre o litoral e o interior.

Compreender onde estão as maiores lacunas ao nível de acessibilidade é importante para o desenvolvimento global da sociedade – são dados importantes para os decisores políticos.

Usando dados de 2015 da base de estradas da Google e do Open Street Map, investigadores da Universidade de Oxford mapearam o estado dos transportes à volta do mundo com a precisão de um quilómetro quadrado. O seu trabalho oferece um detalhe sem precedentes, nunca antes visto. Aliás, a última tentativa de mapear a acessibilidade no mundo data do ano 2000.

Os investigadores evidenciam uma relação entre uma fraca acessibilidade e uma condição de pobreza – como o acesso aos centros urbanos estratifica o estado económico, educacional e de saúde das populações. Na verdade, segundo a Universidade de Oxford, 50,9% das pessoas que vivem com baixos rendimentos vivem a cerca de uma hora de uma cidade em comparação com 90,7% das pessoas que têm rendimentos altos.

Podes descarregar o trabalho aqui, ler o artigo científico na revista Nature aqui e ver aqui mais alguns mapas, partilhados pelo site Co.Design.

Os mapas e a investigação universitária oferecem esta perspectiva global e objectiva para uma questão socialmente observável. A importância dos passes sociais, boas redes de transportes que aproximem as periferias dos centros urbanos e evitem a marginalização de subúrbios e uma cobertura extensiva de possibilidades do transporte ao longo da área geográfica são alguns dos pontos essenciais de uma boa estratégia de transportes.

As linhas de transporte público e novas possibilidades de deslocação e acesso são, mais do que a sua função, um desafio à criação de novas dinâmicas sociais que podem beneficiar os locais onde são implementadas.

“Não deixar ninguém para trás” é a frase chave que se pode ler no resumo do estudo e que se pode aplicar também à perspectiva social, traduzindo na perfeição a forma como boas infraestruturas de transportes são vitais para o processo de integração social.

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