Falcões para espantar pombos? Lisboa está a testar solução

Projecto-piloto vai arrancar no centro da cidade, em áreas como o Rossio, os Restauradores, a Praça da Figueira ou o Campo das Cebolas.

Lisboa

O objectivo é afugentar os pombos que frequentam o centro da cidade de Lisboa. A medida já é/foi usada em outras cidades, como Londres, Paris, Los Angeles e Nova Iorque, e tem tido resultados positivos no Aeroporto de Lisboa, onde os falcões já são usados para espantar os bandos de pombos como forma de garantir a segurança dos aviões.

“Estamos a aprender, a ver se isto funciona. A ideia é afastar os grande bandos de pombos que andam pelo Rossio, Restauradores, Praça do Município ou Campo das Cebolas. Se correr bem, podemos alargar ao resto da cidade”, explicou Vítor Vieira, director municipal de Higiene Urbana da Câmara Municipal de Lisboa (CML), ao jornal O Corvo.

Admitindo a dificuldade sentida pela autarquia em lidar com este fenómeno, o responsável diz que a Câmara precisa de olhar para os “dois pratos da balança”“Se, por um lado, sempre existiu aquela ideia de muitas pessoas associarem os pombos a doenças, sujidade, destruição de património, como das casas e dos carros, entupimento de caleiras, ou até ao sujar a roupa nos estendais, temos também um fenómeno recente, relacionado com a defesa dos animais e que tem alcançado algum significado”, explica Vítor Vieira.

Pombos são “animais sencientes, como os cães e os gatos”

Em Maio de 2017, a Câmara Municipal instalou no Parque Silva Porto, em Benfica, um pombal contraceptivo, que seria o primeiro de uma rede de sete unidades que deveria ter sido instalada até ao final do ano passado. Neste tipo de pombais, os ovos das crias da ave são substituídos por réplicas de plástico, o que permite um controlo da natalidade dos pombos. O primeiro pomba contraceptivo de Lisboa foi anunciado como uma mudança de política, para acabar com a actual prática de captura e abate. “Este é, sem dúvida, o método mais eficaz, melhor que todos os outros que temos vindo a aplicar”, garantia, na altura, Duarte Cordeiro, vice-presidente da CML, que detém o pelouro da Higiene Urbana.

“Os pombos também são animais sencientes, como os cães e os gatos. E este método que agora se põe em prática é o único método ético de controlo da população que conheço. Trata-se de uma alternativa à violência inaceitável a que os pombos têm sido sujeitos em Lisboa, referiu a’O Corvo Joana Antunes, uma das voluntárias do pombal instalado em Benfica e autora da proposta vencedora do Orçamento Participativo 2016 que conduziu à criação desta infra-estrutura contraceptiva.

Outras soluções falhadas

A experiência com falcões no centro de Lisboa está a arrancar como projecto-piloto, custará pouco mais de 18 mil euros e será levado a cabo por uma empresa especializada, segundo conta O Corvo. A Câmara já tem autorização do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) para arrancar e garante que será usados diferentes falcões para garantir a eficácia da sua acção. No passado, a autarquia já utilizou outros métodos de controlo populacional, como o milho contraceptivo (esta solução falhou porque muitos pombos satisfaziam o apetite com o que encontravam em caixotes do lixo) ou o gaseamento dos pombos.