Câmara quer eliminar copos de plástico da noite de Lisboa

Fazer no Cais do Sodré e no Bairro Alto o que se fez nos festivais de Verão: copos reutilizáveis.

Lisboa Copos de Plástico

Em 2016, os principais festivais de Verão em Portugal adoptaram uma política de copos reutilizáveis, pondo fim ao desperdício e ao lixo que os copos de plástico descartáveis representavam. Agora Lisboa quer seguir a mesma estratégia.

De acordo com a publicação O Corvo, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) está a estudar com o Governo um conjunto de medidas restritivas da utilização de copos de plástico descartáveis para a venda de bebidas em estabelecimentos comerciais, que permitirão não só aliviar as consequências ambientais da actual prática como poupar recursos à autarquia com a limpeza das ruas. As mudanças deverão acontecer a médio prazo, afirmou a’O Corvo fonte do gabinete do vice-presidente da CML, Duarte Cordeiro, que tutela o pelouro da higiene urbana.

10% menos resíduos na cidade até 2020

A Câmara refere que “encontra-se já a trabalhar com o Governo de forma a encontrar soluções que possam levar ao abandono desta solução para venda de líquidos na cidade” e lembra que a sua intenção de reduzir os resíduos na cidade é mais ampla, abrangendo outro tipo de objectos descartáveis/não reutilizáveis. Por isso, “tem, desde 2016, um Plano Municipal de Gestão de Resíduos com o horizonte até ao ano de 2020 e que prevê, neste período de tempo, e de forma integrada, a redução de produção de resíduos em 10%.

A autarquia acrescenta que só com a “participação de toda a comunidade” será possível alcançar tal meta. Para tal, foi constituído um conselho consultivo com representantes da hotelaria, restauração e turismo, mas também de investigadores, associações de comerciantes e moradores, com vista ao cumprimento dos objectivos propostos.

Eliminação dos copos de plástico partiu de proposta independente

A eliminação dos copos de plástico nas zonas de diversão nocturna partiu de uma recomendação aprovada em Novembro de 2017 na Assembleia Municipal de Lisboa, da autoria dos deputados municipais independentes Patrícia Gonçalves e Paulo Muacho. O documento, aprovado com pouca ou nenhuma contestação, sugeria à CML um plano para a redução do plástico para a capital, pedindo também à Assembleia da República (AR) legislação que proíba a utilização de copos de plástico descartáveis nos estabelecimentos comerciais de todo o país.

“Em Portugal, a imposição de custos na venda de sacos de plástico resultou, positivamente, na diminuição drástica da sua utilização e na substituição generalizada por sacos de papel”, lê-se na recomendação aprovada com a abstenção do PPM e do MPT, e com o não do CDS no que toca a envolver a AR. O documento, ao qual O Corvo teve acesso, recorda que está ainda por votar o projecto-lei do partido ecologista Os Verdes, apresentado em Julho passado, com vista a “interditar a comercialização de utensílios de refeição descartáveis em plástico”.

Um assunto da esfera pública

No entender dos deputados Patrícia Gonçalves e Paulo Muacho, a utilização de copos de plástico pelos estabelecimentos de diversão nocturna é um assunto da esfera pública, referindo que em zonas como Santos, Jardim do Arco do Cego, Santa Catarina (Adamastor) e Bairro Alto é “frequente a produção massiva de lixo, que consiste essencialmente em copos de plástico”, que “não é na sua maioria reciclado, é levado para aterros, implicando um custo elevado para o Município de Lisboa, quer em termos ambientais, quer em termos financeiros com os custos associados à sua recolha e deposição em aterro”.

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