Google lança nova app para testar ideia de jornalista-cidadão

Chama-se Google Bulletin, está em teste nos EUA e permite a qualquer pessoa escrever notícias sobre a sua zona.

Ainda nem jornalistas e dedicados ao estudo da comunicação perceberam bem a influência das plataformas de agregação de conteúdo no seu trabalho e a Google já se prepara para aquilo que pode induzir a próxima grande revolução na forma como consumimos conteúdos. Aliás, mais do que a próxima revolução na forma como consumimos, a iniciativa — em fase de apresentação — tenderá a marcar sobretudo a forma como é produzido o conteúdo e, em segunda instância, que conteúdo produzimos. Mas deixemo-nos de mistérios.

Chama-se Bulletin, está numa fase de testes controlados em duas cidades norte-americanas – Nashville e Oakland – e pretende ser a plataforma por excelência para aquilo a que comummente chamamos de jornalista-cidadão. Com o Bulletin, qualquer utilizador poderá escrever e publicar notícias sobre a sua zona, a partir do seu smartphones.

A ideia por detrás do Bulletin assenta em várias premissas que se tornaram tendência nos últimos anos, como a possibilidade de qualquer um produzir conteúdos e a aparente necessidade de tudo ser digital, nascendo, assim, uma espécie de rede social de notícias— que pode ou não viver dentro de outro canal, como o Google News ou a aplicação geral da Google, uma vez que cada notícia terá um link próprio que poderá ser partilhado.

Numa publicação, a Google explica que o objectivo desta iniciativa é dar cobertura a acontecimentos hiper-locais, através de notícias feitas pela comunidade e para a comunidade. O Bulletin pretende ser uma plataforma aberta de publicação, que permita a qualquer pessoa ter um espaço digital para publicar a história.

Dar conta de um novo buraco na estrada, elucidar os vizinhos sobre o que motivou a presença de polícia ou bombeiros, divulgar um evento local ou a história de uma associação são alguns dos exemplos de possíveis utilizações para aplicação.

A forma como esse conteúdo – as alegadas notícias – serão distribuídas ao público ou exploradas pela Google, por exemplo, através da venda de publicidade, é uma das questões mais interessantes e que continua por explicar. Recentemente, também o Facebook começou a testar nos Estados Unidos com notícias locais – em algumas cidades, está disponível uma nova secção na app que oferece conteúdo relevante para a cidade do utilizador, não só actualidade (não de jornalistas-cidadão, mas de órgãos locais estabelecidos), mas também eventos, discussões, grupos, etc.