Mark Zuckerberg diz que vai “resolver” o Facebook. E fala em criptomoedas

O CEO do Facebook vai fazer este ano o trabalho que enquanto CEO do Facebook já deveria ter feito.

Facebook

Todos os anos de Mark Zuckerberg começam pela definição de um desafio pessoal, que o acompanhará nos meses seguintes e que apresenta numa publicação no Facebook. Em 2017, foi visitar todos os estados norte-americanos, um por um. No ano anterior, foi correr 600 km. Em 2015, dedicou-se a desenvolver um sistema de IA para a sua casa. No ano antes, leu 25 livros.

O desafio do CEO e fundador do Facebook para 2018 é diferente. É tudo menos pessoal – é trabalho. “O mundo está ansioso e dividido, e o Facebook tem muito trabalho pela frente, seja na protecção da nossa comunidade contra abusos e ódio, na defesa contra a interferência de Estados-nação ou a assegurar que o tempo gasto no Facebook seja um tempo bem aproveitado”, escreveu no seu perfil.

Zuckerberg diz, no fundo, que tem muitas coisas para resolver no Facebook, incluindo resolver “o próprio Facebook”, evitando o discurso de ódio, as fake news, os perfis falsos para influenciar campanhas eleitorais e outros problemas que assolaram a plataforma durante 2017.

“Não vamos prevenir todos os erros e abusos, mas actualmente cometemos erros demais ao aplicar nossas políticas para evitar o uso indevido de nossas ferramentas”, acrescentou. “Estes problemas tocam em questões de história, civismo, filosofia política, media, governos e, claro, tecnologia. Quero reunir com grupos de especialistas para discutir e ajudar-nos a trabalhar nestes tópicos.

Every year I take on a personal challenge to learn something new. I've visited every US state, run 365 miles, built an…

Publicado por Mark Zuckerberg em Quinta-feira, 4 de Janeiro de 2018

Descentralização, blockchain e criptomoedas

Numa segunda parte da sua publicação no seu Facebook pessoal, Mark Zuckerberg aborda uma questão que tem marcado a actualidade tecnológica, fruto da maior exigência dos internautas relativamente ao controlo dos seus dados e à popularidade da tecnologia blockchain – a descentralização da internet.

Quando surgiu no final do século XX, a internet era descentralizada, isto é, pertencia às pessoas e não era determinada por cinco ou seis grandes empresas. A centralização da internet em tecnológicas como a Google ou o Facebook permitiu tornar este meio mais acessível, caso contrário só geeks conseguiriam usá-la. As empresas conquistaram o espaço virtual público criando interfaces simples que qualquer pessoa consegue compreender como funciona e ferramentas que possibilitam a qualquer um pesquisar informação ou contactar alguém. Apesar de desenvolvidos por engenheiros e especialistas que pensam a usabilidade ao pormenor, os serviços da Google e do Facebook não são propriamente essenciais e podem ser substituídos por relações mais directas, graças a tecnologias de partilha, como os torrents ou o blockchain.

“Muitos de nós aderimos à tecnologia porque acreditamos que pode ser uma força descentralizadora que coloca mais poder nas mãos das pessoas”, escreveu Zuckerberg, lembrando que as primeiras quatro palavras da missão da empresa incluíam “dar poder às pessoas”. O executivo diz que nos anos 1990s e 2000s, muitas pessoas acreditaram que a tecnologia ser uma força descentralizadora, tendo agora deixado de acreditar nessa promessa e que a ascensão de um número de grandes tecnológicas – “e de governos a usar tecnologia para vigiar os seus cidadãos” – contribuiu para a ideia de centralização.

Mark Zuckerberg fala logo a seguir na encriptação e nas criptomoedas (blockchain) como duas tecnologias contra essa corrente, apesar do “risco de serem mais difíceis de controlar”. Apesar de a encriptação fazer já parte do Facebook em produtos como o WhatsApp ou o Messenger, o blockchain em geral e as criptomoedas em particular poderão significar uma mudança substancial no modelo de funcionamento e gestão do Facebook. “Estou interessado em aprofundar e estudar os aspectos positivos e negativos destas tecnologias, e em perceber a melhor forma de usá-las nos nossos serviços”, concluiu.

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