Mulheres sauditas assistem pela primeira vez a um jogo de futebol ao vivo

O ano de 2018 promete trazer várias mudanças para o estatuto das mulheres na Arábia Saudita, parte do novo programa de reformas do príncipe Mohamed Bin Salman.

Arábia Saudita
Fotografia: AFP

Foi um dia histórico em Jedá. Pela primeira vez na história da Arábia Saudita mulheres daquele país ultra-conservador puderam assistir ao vivo a um jogo de futebol. A luta contra a discriminação de género na Arábia Saudita continua assim a registar fortes progressos, isto depois de em Dezembro ter sido autorizado que também as mulheres conduzissem.

Esta nova permissão para audiência feminina nos estádios arrancou esta sexta-feira e, para já, abrange somente três maiores cidades do país: Riade, Jidá e Dammam. O primeiro jogo reuniu centenas de mulheres nas bancadas do estádio King Abdullah Sports City para o encontro entre o Al-Ahli Jeddah e o Al-Batin, treinado pelo português Quim Machado, a contar para a 17ª jornada do principal campeonato saudita. Apesar de o resultado pouco importar, fica a nota para a vitória da equipa da casa, por 5-0. Este sábado, será a vez da capital Riade ter adeptas no encontro entre o Al Hilal e o Al Ittihad. Nos estádios foram criados sectores familiares dedicados, novas casas de banho para ambos os géneros e também espaços de oração próprios.

Nas últimas semanas, e ainda no âmbito desportivo, a Arábia Saudita deu outros importantes avanços no que toca à igualdade de género, com a organização do primeiro torneio feminino de squash e o primeiro torneio feminino de basquetebol universitário, segundo relata a BBC.  O ano de 2018 promete trazer várias mudanças para o estatuto das mulheres, parte do novo programa de reformas do príncipe Mohamed Bin Salman.

Apesar das mudanças, as mulheres continuam impossibilitadas de viajar para o estrangeiro sozinhas e para abrir uma conta bancária precisam de alguém do sexo masculino, seja o seu companheiro ou um familiar. Contudo, as direcções parecem apontar para que a Arábia Saudita deixe de ser um dos países com maiores níveis de desigualdade de género no Médio Oriente.