Concurso desafia jovens a pensar sobre a Europa e o seu futuro

Podes ganhar um Cartão CCB Jovem e uma viagem a Bruxelas de 3 dias para visitares as instituições europeias (com tudo pago, claro)!

Europa

Dias 7 e 8 de Abril, realiza-se em Lisboa a primeira edição das Conferências Ulisses, um evento que pretende servir de reflexão sobre questões relacionadas com os direitos humanos, globalização e União Europeia. “Democracia Europeia: uma ideia cujo tempo chegou?” será o tema que servirá de ponto de partida à edição de 2018, que se realizará no Centro Cultural de Belém. Todos os jovens entre os 16 e 30 anos estão convidados a participar.

Está aberto um concurso de ensaios escritos ou gravados que terá como prémios um Cartão CCB Jovem e uma viagem a Bruxelas de 3 dias, a realizar-se no segundo semestre de 2018, para visita às instituições europeias, com deslocação e estadia pagas. Indivíduos entre 16 e 30 anos, residentes em Portugal mas de nacionalidade portuguesa ou não, são convidados a participar com uma reflexão sobre a Europa e o seu futuro no mundo.

Os ensaios escritos devem ter o tamanho máximo de 2018 palavras ou uma duração que não pode superar os 2:18 minutos no formato vídeo ou áudio. O ensaio, que pode ser redigido ou gravado em português ou inglês, e o formulário de candidatura inteiramente preenchido devem ser submetidos até ao final do dia 18 de Março. Serão seleccionados 15-25 jovens entre todas as participações – todos eles receberão o cartão e a viagem como prémios, e as suas ideias/perspectivas ajudarão a moldar o debate da primeira Conferências Ulisses.

“De entre os ensaios enviados, escolheremos a melhor selecção de qualidade e diversidade que for possível. Se necessário, tentaremos equilibrar essa escolha em termos de género, residência e área de estudos ou de trabalho, na intenção de obter um grupo plural e de qualidade”, lê-se no site do CCB. Os jovens seleccionados serão ainda convidados a participar nas Conferências Ulisses, com estadia e deslocações pagas, e na redacção de um jornal sobre as consequências da conferência no dia da Europa, 9 de Maio.

Conferências Ulisses estreiam-se em Lisboa

“Democracia Europeia: uma ideia cujo tempo chegou?” será o ponto de partida para uma reflexão que se pretende fazer em Lisboa nos dias 7 e 8 de Abril e que terá curadoria do historiador e político Rui Tavares. Ao longo dos dois dias, estão previstos quatro painéis, sendo que estão prometidos “alguns dos pensadores nacionais e estrangeiros que mais têm reflectido sobre o projecto europeu, acompanhados pela intervenção de artistas, escritores ou políticos que resgatem a discussão do risco de se tornar demasiado técnica”. Existirão ainda duas mesas redondas, nas quais participarão jovens escolhidos no concurso acima referido.

No texto que pode ser lido no site do CCB, enquanto se aguarda a divulgação do programa integral, é explicado que as Conferências Ulisses “destinam-se a um público misto, especialista e generalista, das artes e das ciências, apenas observador ou participante. O intuito dos organizadores é explorar o pensamento que se faz em Portugal sobre os temas globais e também garantir que essa reflexão não se esgota após o encerramento de cada edição; por isso, será “estimulada a criação e edição de material escrito ou audiovisual que prolongue a memória da conferência”, também “por novas gerações”.

Após mais de dez anos de várias crises — a recusa do Tratado Constitucional Europeu pelos eleitores franceses e holandeses foi em 2005, logo sucedida pela crise financeira em 2007-8, a crise do euro em 2010-11, e a chamada “crise dos refugiados” a partir de 2015 — é chegada a União Europeia a um momento decisivo: com os seus estados-membros, ela é um “clube de democracias”, mas só com os seus cidadãos a UE se tornará numa verdadeira Democracia Europeia. Se falhar nesse desígnio, a UE pode muito bem desaproveitar o actual momento de respiração e repensamento e cair de novo numa crise existencial que se arriscaria a ser a sua derradeira.

A questão da criação de uma Democracia Europeia é, no entanto, profundamente difícil. Séculos de filósofos, escritores e visionários, de Erasmo de Roterdão a Kant e a Victor Hugo, sonharam com os fundamentos de uma república europeia, uma federação de estados pacíficos ou uma utopia cosmopolita e, no último caso, uns Estados Unidos da Europa, a tal ideia «mais forte que os exércitos» no momento em que “o seu tempo” tivesse chegado. Mas o que é uma democracia? Quando sabemos que deixámos de ser uma democracia ou que passámos a ser uma? Ou será impossível, como afirmam alguns, construir uma democracia para lá das fronteiras do estado-nação? Se há momento para fazer essa discussão que pode salvar o projeto europeu, é agora, após dois anos em que a vaga nacional-populista parecia ir submergir qualquer esperança de cooperação internacional e em que uma contra-vaga em França e na Alemanha pareceu deixar todos os europeus à espera de uma reforma e na disposição de dar mais uma oportunidade à UE. Essa oportunidade teremos de ser nós, os cidadãos europeus e de todo o mundo preocupados com a causa da paz e dos direitos humanos e empenhados em entender e moldar o processo de globalização para corrigir os seus vícios e injustiças.

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