Carles Puigdemont arrisca prisão ao debater situação da Catalunha na Dinamarca

O Ministério Público espanhol ameaça com a reactivação do mandado de captura internacional de Carles Puigdemont, antigo presidente da região autónoma da Catalunha que se deslocou ao princípio do dia de hoje à Dinamarca.

Tweet de Carles Puigdemont anunciando a conferência em Copenhaga.
 
Este artigo é gratuito como todos os artigos no Shifter.
Se consideras apoiar o nosso trabalho, contribui aqui.

O final do ano 2017 ficou marcado pela questão catalã, também conhecida como o Processo, e o início de 2018, aqui mesmo ao lado, parece preencher-se com os mesmos intervenientes (entre eles Carles Puigdemont) com narrativas que seguem o mesmo sentido, apenas os papeis ligeiramente trocados.

2017 terminou com as eleições de 21 de Dezembro e pelos pedidos para libertação dos presos políticos — principais representantes dos movimentos independentistas catalães. 2018 arrancou com os resultados oficiais e a tomada de posse do Parlamento reconfigurado, mas o temas das prisões voltou hoje ao radar.

Sobre os ex-dirigentes políticos presos nem uma palavra — a última, dia 5 de Janeiro, foi a confirmar a sua manutenção na prisão — e é mesmo Carles Puigdemont , até agora auto-exilado na Bélgica, quem surge desta vez na mira da justiça com uma nova investida pela sua prisão.

O Ministério Público espanhol terá pedido a reactivação do mandado de captura internacional contra o antigo presidente da região autónoma da Catalunha, que se deslocou no princípio do dia de hoje à Dinamarca, onde tem marcada a preleção numa conferência na Universidade de Copenhaga subordinada ao tema: “A Catalunha e a Europa na encruzilhada da democracia?”.

A ida de Puigdemont à Dinamarca é sabida desde sexta-feira passada, altura em que o porta-voz do grupo parlamento Juntos Pela Catalunha a anunciou publicamente e foi desde logo repudiada pela justiça espanhola em nota:

Se essa confirmação [ida a Copenhaga] chegar, é intenção do Ministério Público agir imediatamente solicitando ao juiz de instrução do Supremo Tribunal que proceda à ativação do mandado de captura para solicitar à autoridade judicial dinamarquesa que detenha o investigado.”

Para além da conferência em ambiente académico, Puigdemont deve encontrar-se com alguns deputados dinamarqueses, entre eles, promotores da independência das Ilhas Faróe — algo que também não agrada às forças no poder na Dinamarca.

Puigdemont encontra-se em Bruxelas desde o dia 30 de Outubro, onde se tem mantido depois de ter proclamado unilateralmente a independência da Catalunha, ao que o Governo Espanhol respondeu com a aplicação do artigo 155 da Constituição Espanhola. Sem estar em regime de asilo político oficial, Puigdemont tentou com a sua ida para Bruxelas dar dimensão europeia à questão, algo que também parece estar na base da sua ida a Copenhaga.

A conferência está marcada para as 14h do dia de hoje e pode ser seguida em directo na transmissão online no site:  http://politicalscience.ku.dk 

Quanto aos avanços institucionais que se aguardam na sede democrática espanhola e catalã — os respectivos parlamentos —, só são esperados desenvolvimentos no dia 31 de Janeiro, altura do primeiro debate de investidura do novo governo eleito. Roger Torrent deverá ser uma das principais caras dos próximos desenvolvimentos, com apenas 38 anos, o politólogo do partido Esquerda Republicana tornou-se recentemente o mais jovem presidente de sempre do parlamento Catalão.

“Neste momento a responsabilidade é ainda maior dado o contexto complexo e anómalo que temos pela frente. Quero recordar que há três deputados desta câmara que estão em prisão preventiva. Outros cinco deputados e o presidente Puigdemont estão em Bruxelas, avisados para a mesma situação caso regressem ao país.”

Investimos diariamente em artigos como este.
Precisamos do teu investimento para poder continuar.