Protestos contra coligação entre direita e extrema-direita juntam milhares em Viena

O mais “preocupante é ver o nacionalismo a progredir em todo o lado”, disse um dos manifestantes.

Vienna
AP Photo/Ronald Zak

Pelo menos 20 mil pessoas manifestaram-se este sábado em Viena contra a coligação entre a direita e a extrema-direita, no poder na Áustria. Os números foram divulgados pela polícia, mas a organização estima que 25.000 a 50.000 pessoas tenham participado no desfile, que atravessou o centro da capital austríaca.

O novo Governo austríaco, eleito a 15 de Outubro, é liderado pelo jovem conservador Sebastian Kurz, e integrado por seis ministros da extrema-direita, um dos quais, Heinz-Christian Strache, líder do Partido da Liberdade (FPÖ), é vice-chanceler.

“O que mais temo é que se vulgarize este tipo de governos, que se tornem o novo normal”, disse à agência France-Presse uma manifestante, Christa, de 55 anos. Para Tobias Grettica, um alemão de 47 anos, o mais “preocupante é ver o nacionalismo a progredir em todo o lado”.

Convocada por organizações de esquerda e movimentos anti-racistas e de apoio aos imigrantes, a manifestação reuniu participantes de todas as idades, incluindo dezenas de famílias. Nas faixas e cartazes brandidos pelos participantes podia ler-se “Não deixem os nazis governar”, “Fora” ou “Tudo tem um fim”.

Vários dos cartazes exibidos evocavam a anexação da Áustria pela Alemanha nazi, em 1938, e a instalação de um regime fascista no país: “Outra vez não, por favor” ou “Quem tolera Kurz e Strache teria aplaudido 1938”.

O actual Governo, em funções há menos de um mês, é a segunda coligação na Áustria entre os conservadores e a extrema-direita, depois do governo, formado em 2000, pelo ÖVP de Wolfgang Schüssel e o FPÖ de Jörg Haider, alvo de sanções da União Europeia (UE).

discurso anti-emigração e duro em relação às questões dos refugiados, e a mão dada a um partido muitas vezes associado ao novo racista e xenófobo (e descrito como consequente de partidos Nazis numa fase pós-Segunda Guerra Mundial), são os prenúncios para o governo do agora líder mais jovem da União Europeia.