Código de conduta criado após expulsão de Weinstein da Academia de Cinema

Os efeitos do movimento #metoo ecoam todos os dias.

 

A Academia de Cinema e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, que atribui os Óscares, adoptou o primeiro código de conduta, após a expulsão do produtor de Hollywood Harvey Weinstein acusado de abuso e assédio sexual.

As novas regras foram transmitidas na quarta-feira aos mais de 8.400 membros da Academia pelo chefe executivo, Dawn Hudson, através de um e-mail.

Em meados de Outubro, após a expulsão de Harvey Weinstein, a segunda na história da Academia, a seguir ao actor Carmine Caridi, na década de 1990, a entidade anunciou estar a trabalhar para “estabelecer normas de ética de conduta”.

O novo código de conduta estipula que a Academia não é lugar para “pessoas que abusam dos seus estatutos, poder ou influência de uma forma que viola os padrões da decência”, de acordo com a agência de notícias norte-americana Associated Press.

A direcção pode agora suspender ou expulsar quem violar o código de conduta ou quem “comprometer a integridade” da Academia de Cinema e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. As normas do código de conduta foram delineadas por uma ‘task force’ criada pela academia.

A onda de indignação com os casos de abuso sexual na indústria, que levou ontem a revista Time a distinguir as pessoas responsáveis por denunciar episódios do género como Personalidade do Ano, também chegou à Austrália. O actor Geoffrey Rush, vencedor de um Óscar por Shine e conhecido também pela sua presença na saga Piratas das Caraíbas, pediu a semana passada a demissão da presidência da Academia de Cinema australiana, após a revelação de acusações contra si próprio de “conduta imprópria”. Rush, que nega as acusações, renunciou ao cargo na AACTA, que presidiu por vários anos, afirma a organização em comunicado.

“A AACTA confirma a decisão de Geoffrey Rush de se afastar de forma voluntária do cargo de presidente da Academia, e aceita e respeita a sua decisão”, diz o texto. “Estamos muito preocupados com a situação e apoiamos um procedimento que respeite tanto o direito de Geoffrey à presunção de inocência e a um processo justo, como também a boa gestão da direcção nestas circunstâncias”, acrescenta, sem dar detalhes.

Vários actores saíram entretanto em defesa do colega. Rachel Griffiths, por exemplo, disse ontem que Rush não é “não é nenhum Harvey Weinstein”, enfatizando que privou com o produtor norte-americano mais do que uma vez.

Não são conhecidos grandes pormenores acerca do caso de assédio que alegadamente envolve o actor de 66 anos. O episódio terá acontecido durante a produção da peça King Lear da Companhia de Teatro de Sydney, que terá recebido uma queixa.

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