Dependência de videojogos é considerada doença mental pela OMS

A adição a jogos virtuais foi declarada pela Organização Mundial de Saúde como um transtorno mental. Os médicos estão satisfeitos com a decisão.

A dependência de videojogos foi finalmente incluída na lista de doenças da Organização Mundial de Saúde (OMS), uma decisão aplaudida por médicos do mundo inteiro, que dizem que a classificação desta dependência como um distúrbio psiquiátrico poderá vir a facilitar o tratamento.

A decisão de classificar esta dependência como um problema de saúde mental surgiu depois de uma monitorização do transtorno feita ao longo de dez anos, levada a cabo pela OMS. A definição final não foi ainda lançada, mas deverá sê-lo já em Janeiro de 2018.

Esta adição caracteriza-se por um padrão de comportamento de jogo “contínuo ou recorrente”, no qual o jogador não consegue controlar, por exemplo, o início, a frequência, a intensidade, a duração e o contexto em que joga. As crianças passam a isolar-se do contexto familiar e dos amigos, chegando mesmo a deixar de fazer actividades que eram habituais, desenvolvendo problemas de sono e alimentação e baixando o rendimento escolar.

“É a confirmação de que esta é uma questão de saúde “mental”, que é grave. É muito importante haver o reconhecimento de que não é um problema simples de alguns adolescentes. Há uma minoria que tem problemas muitos graves e que têm que ser diagnosticados, o que será mais fácil com a publicação dos critérios”, declarou ao Diário de Notícias o psicólogo especialista em adições na área do jogo, Pedro Hubert.

Para Pedro Hubert, este reconhecimento por parte da OMS vai permitir “fazer legislação, prevenção, diagnóstico e tratamento”, ao mesmo tempo que contribuirá para que “os próprios promotores de videojogos possam ser responsabilizados pelo que fazem”, disse ao DN.

Em Portugal, segundo os dados cedidos por Pedro Hubert, a percentagem de jogadores patológicos subiu de 0,3% em 2012 para 0,6% em 2017 e a de abusivos passou de 0,3 para 1,2%. Números, refere o psicólogo, em que se incluem jogadores de videojogos.

Entre os principais sintomas e sinais do vício deste tipo de jogos, o psicólogo destaca os problemas de sono, os fracos resultados académicos, o isolamento, a troca de prioridades e uma má alimentação.

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