Trump e Jerusalém: “um acto de terrorismo diplomático”

Em causa, está o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e, para além, a transferência da embaixada norte-americana para esta cidade marcada pelo conflito.

O Presidente Donald Trump e o Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, num encontro em Outubro (foto: The White House)

Que Donald Trump representa um capítulo sem precedentes na história norte-americana, desde o primeiro dia da sua eleição, não há a menor dúvida, mas o inapto Presidente norte-americano não se contenta com a aplicação do seu pensamento desregrado ao solo nacional e prepara-se para cometer o que muitos descrevem como um acto de “terrorismo diplomático”.

Em causa, está o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e, para além, a transferência da embaixada norte-americana para esta cidade marcada pelo conflito.

Jerusalém, cidade no meio de um conflito político

Jerusalém é reclamada pelo estado de Israel recorrendo ao argumento da tradição – a cidade é a capital do Estado Judeu desde a Antiguidade – e um dos principais polos políticos do governo contemporâneo. Mas nem comunidade internacional, nem a outra parte do conflito, a Palestina, concordam com esta determinação.

A comunidade internacional nunca reconheceu Jerusalém como capital de Israel, nem tão pouco o domínio israelita sobre a parte oriental da cidade. Os israelitas consideram Jerusalém a cidade santa e capital eterna, enquanto que os palestinianos, por seu turno, assumem a parte leste da cidade como a capital do seu território.

Todos os países com embaixadas em Israel seguem a tradição e as resoluções diplomáticas que implicam o acordo das duas partes, sediando as suas embaixadas na cidade de Telavive. Mas Trump, ao seu jeito, quer mudar isso.

A mudança não é uma ideia nova, estando explicita numa lei que os sucessivos Presidentes norte-americanos têm vindo a adiar desde 1995. A polémica decisão pode agora ser posta em prática e uma nova embaixada nascer dentro de 3 a 4 anos naquele local.

Um retrocesso na paz e estabilidade

As reações, tirando das partes interessadas, como os Estados Unidos e Israel, são praticamente unânimes. O Líder da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, vê perigo de retrocesso no processo de paz e comprometida a estabilidade naquele país. Os principais líderes de opinião e representantes de cargos políticos, citados pela imprensa internacional, classificam a decisão de Trump como uma autêntica loucura.

A nível internacional as reações também não se fizeram esperar, com as vozes especialmente do mundo árabe a levantarem-se contra o presidente norte-americano. O presidente da Jordânia, Abdullah II, o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, aconselham recuo da decisão e prudência a nível diplomático. Já o governo turco ameaça mesmo um corte total das relações diplomáticas com os Estados Unidos caso a decisão se confirme.

Emmanuel Macron, o Presidente francês, também já terá avisado Trump do perigo da sua medida, bem como Sigmar Gabriel, Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, ou a delegação da União Europeia para os assuntos externos. Até a Arábia Saudita, tradicional aliado dos EUA, recomendam prudência e alertam para o perigo desta decisão

Até Boris Johnson, político britânico, interpelado sobre o assunto à entrada de uma reunião da NATO, revelou a sua surpresa e preocupação nesta acção de Trump.

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