Este ano não há uma personalidade do ano da Time, há várias

Revista distinguiu as mulheres que quebraram o silêncio sobre casos de assédio sexual nos últimos tempos.

Uma distinção como esta é sempre positiva mas, neste caso específico, era bom sinal que a Time não tivesse pretexto para inovar desta forma. Mais do que uma personalidade, este ano a icónica revista norte-americana distinguiu o acontecimento que tem abalado a actualidade mundial, agraciando todas as mulheres e homens que deram “voz a segredos abertos, por mover redes de murmúrios para as redes sociais, por nos motivar a todos a parar de aceitar o inaceitável”.

“As vozes que lançaram um movimento” é a descrição usada na capa da Time para descrever a escolha da Personalidade do Ano. A publicação norte-americana destaca este ano aqueles a quem chamou Silence Breakers, as pessoas que denunciaram casos de assédio e abuso sexual.

Ashley Judd, Susan Fowler, Adama Iwu, Taylor Swift e Isabel Pascual são as protagonistas da chamada de capa, mas o grupo não é exclusivamente constituído por mulheres. O realizado Blaise Godbe Lipman e o actor e ex-jogador de futebol americano Terry Crews, são dois exemplos de nomes masculinos constantes na lista.

A revista considera que as denúncias e acções protagonizadas pelas personalidades agora distinguidas criaram um dos movimentos sociais mais rápidos, apoiado pelo impacto da divulgação conseguida através das redes sociais, nomeadamente através da hashtag #MeToo. A distinção é por isso um reconhecimento da importância do papel destas mulheres e destes homens na consciencialização para o tema.

A Time reuniu ainda numa outra lista as 74 personalidades acusadas de assédio e abuso sexual depois de se tornarem públicas as denúncias contra Harvey Weinstein.

“As mulheres e homens que quebraram o seu silêncio chegam-nos de todas as classes sociais, todas as profissões e todos os cantos do globo. Podem trabalhar num campo na Califórnia, ou atrás de uma secretária no Plaza Hotel em Nova Iorque ou até mesmo no Parlamento Europeu. Fazem parte de um movimento que não tem um nome formal. Mas agora têm uma voz.”

 

Em Novembro, Trump avançou que tinha sido (novamente) a escolha vencedora para a Personalidade do Ano. “A revista Time ligou-me a dizer que eu seria PROVAVELMENTE escolhido como ‘Homem (Personalidade) do Ano’, como no ano passado, mas eu teria de aceitar dar uma entrevista e fazer uma grande sessão fotográfica. Eu disse que provavelmente não era grande ideia e recusei. Obrigado de qualquer forma!”, escreveu na publicação.

No entanto, a revista desmentiu prontamente o líder da Casa Branca. “O Presidente está incorrecto sobre a forma como escolhemos a Personalidade do Ano. A Time não faz comentários sobre a sua escolha até ao dia da publicação, a 6 de Dezembro”, dizia o tweet da revista.

A lista de finalistas anunciada na segunda-feira incluía o vencedor do título de Personalidade do Ano de 2016, o Presidente norte-americano Donald Trump, o líder norte-coreano, Kim Jong Uno Presidente chinês, Xi Jinpingo ex-director do FBI Robert Mueller, o jogador da NFL Colin Kaepernick que se ajoelhou durante o hino norte-americano, num protesto silencioso, e Patty Jenkins, a realizadora do filme Wonder Woman.

Depois desta distinção, relembramos que ainda há poucos dias, o evento online #metoo (inventado há 10 anos e trazido para a ribalta na sequência do escândalo Weinstein) foi distinguido como o maior evento viral do ano, tendo em conta o seu alcance e a interação gerada.