Selfitis, o distúrbio mental dos viciados em selfies

A conclusão é de um grupo de investigadores norte-americano que confirma uma teoria antiga. Contudo, há quem seja cético quanto a esta nova proposta de condição psicológica.
Foto via Unsplash

A febre das selfies, quando em excesso, pode ser considerada como uma perturbação mental. “Selfitis” é o nome da desordem que afecta todos os que, inconscientemente, se sentem obrigados a publicar continuamente imagens de si próprio nas redes sociais. A consideração partiu de uma equipa de psicólogos, que deixou o aviso de que estas pessoas podem precisar de ajuda.

O termo “selfitis” surgiu pela primeira vez em 2014, com o intuito de descrever esta obsessão como uma desordem, numa notícia falsa que indiciava que a American Psychiatric Association estava a considerar classificá-la como um distúrbio. Confrontados com estas fake news, investigadores da Universidade de Nottingham Trent e da Escola de Administração de Thiagarajar, na Índia, decidiram investigar se havia ou não um fundo de verdade nesta consideração. Os estudos mostraram que sim e a equipa de investigação até desenvolveu uma “Escala de Comportamento de Selfitis” que pode ser usada para avaliar a gravidade.

Mark Griffiths, professor de Psicologia na Universidade de Nottingham Trent e especialista em obsessões e comportamentos aditivos, afirma que “há alguns anos, surgiram histórias nos media alegando que a condição de Selfitis deveria ser classificada como uma desordem mental pela American Psychiatric Association. Embora a história tenha sido revelada como falsa, isso não significa que a condição de “Selfitis” não existe. Os nossos estudos permitiram confirmar a sua existência e desenvolver a primeira Escala de Comportamento de Selfitis do mundo para avaliar esta condição”.

A experiência contou a participação de 225 voluntários em focus group e 40o através de um questionário, servindo para determinar os indicadores deste distúrbio, numa escala de 1 a 100. A amostra escolhida era composta exclusivamente por cidadãos da Índia, o país com maior numero de utilizadores de Facebook e o maior número de mortes resultado da tentativa de protagonizar Selfies em locais perigosos. As descobertas, publicadas entretanto no International Journal of Mental Health and Addiction, dividem a questão em três níveis diferentes.

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Níveis de Selfitis

Borderline – tirar fotos a si próprio pelo menos 3 vezes por dia sem publicá-las nas redes sociais.  

Agudo – tirar fotos a si próprio pelo menos 3 vezes por dia e publicá-las nas redes sociais

Crónico – vontade incontrolável de tirar fotografias e publicar nas redes sociais, mais de 6 vezes por dia.

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Os investigadores descobriram que os portadores típicos de Selfitis são pessoas que precisam de atenção, muitas vezes carentes de auto-confiança, e que esperam aumentar a sua posição social e sentirem-se parte de um grupo publicando imagens de si mesmas nas redes sociais.

Janarthanan Balakrishnan, também da Nottingham Trent, diz que “normalmente aqueles com a condição sofrem de falta de auto-confiança e procuram encaixar com aqueles que os rodeiam e podem apresentar sintomas semelhantes a outros comportamentos potencialmente viciantes”.

A equipa desenvolveu em complemento um conjunto 20 declarações que podem ser usadas para cada um determinar o seu nível de auto-consciente sobre o problema. Os exemplos incluem “sinto-me mais popular quando publico selfies nas redes sociais” ou “quando não aceito tirar selfies, sinto-me separado do grupo”.

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Escala de Avaliação de Selfitis

Classifica estas afirmações de 1 a 5, sendo 5 concordo plenamente e 1 discordo plenamente, e soma os resultados no fim. Quando mais próximos estiveres de 100, mais grave é o nível de Selfitis.

  1. Tirar selfies faz-me sentir melhor onde estou 
  2. Partilhar as minhas selfies cria uma competição saudável com os meus amigos e colegas
  3. Ganho imensa atenção quando partilho selfies nas redes sociais
  4. Quando tiro selfies fico menos stressado
  5. Sinto-me confiante quando tiro selfies
  6. Sinto-me mais aceite no meu grupo quando tiro selfies e as partilho nos social media
  7. Expresso melhor as minhas sensações através de selfies
  8. Tirar fotos em diferentes poses aumenta o meu status social 
  9. Sinto-me mais popular quando publico selfies nos social media 
  10. Tirar selfies melhora o meu mood e faz-me sentir feliz
  11. Torno-me mais positivo em relação a mim próprio quando tiro selfies
  12. Torno-me um membro forte de qualquer grupo social quando tiro e publico selfies
  13. Tirar selfies ajuda a guardar memórias das ocasiões e das experiências
  14. Publico selfies frequentemente para obter mais likes e comentários nas redes sociais 
  15. Quando publico selfies, espero a avaliação dos meus amigos
  16. Tirar selfies muda instantaneaente o meu mood
  17. Tiro mais selfies e vejo-as em privado para aumentar a minha confiança
  18. Quando não tiro selfies, sinto-me deslocado do meu grupo de pertença 
  19. Tiro selfies como troféus para memória futura
  20. Uso ferramentas de edição para melhorar as minhas selfies

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Apesar destes aparentes avanços na classificação do comportamento, Simon Wessely, professor de Medicina Psicológica no King’s College de Londres, é um dos que continua céticos quanto a esta nova condição proposta, dizendo mesmo que, a ser verdade, este estudo é ele mesmo uma “selfie académica”. “Existe uma tendência para tentar rotular toda uma gama de comportamentos humanos complexos e complexos com uma única palavra. Mas isso é perigoso porque pode dar algo de realidade onde realmente não tem nenhum”, acrescenta.

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