Organização Mundial de Saúde actualiza recomendações sobre cannabidiol

Além disso, a OMS menciona o potencial de dependência causado pelo THC, mas reitera que não vê motivos para um controlo especial desta substância.

Organização Mundial de Saúde

Foi tornado público no dia 13 de Dezembro de 2017 o relatório preliminar do Comité Especialista em Dependência de Drogas da Organização Mundial de Saúde (OMS). Em foco nesta investigação esteve o Carfentanil, um opioide, e o Cannabidiol (CBD), um dos compostos activos da marijuana.

O objectivo de estudos e relatórios deste tipo é dar informação aos médicos e às várias instituições sobre como devem enquadrar as várias substâncias e, neste último documento, a OMS recomenda mesmo algumas alterações.

Quanto ao Carfentanil, a recomendação subscrita pela OMS pede controlo máximo para a produção e distribuição desta substância. Sem uso humano conhecido e utilizado frequentemente como anestesiante para animais, o Carfentanil é próximo de outro opioide de uso comum, o Fentanil, mas 100 vezes mais potente e com efeitos, por isso mesmo, 100 vezes mais imediatos. Com uma potência que pode ser letal em doses de tamanho de grão de sal, o Carfentanil faz parte de uma série de opioides sintéticos e derivados, que nas ruas nos Estados Unidos mataram 64 mil pessoas só no ano passado.

A par do Carfentanil, outros quatro opioides foram reenquadrados na chamada categoria I, determinante de um controlo restrito.

Já o Cannabidiol (CBD) é visto com a perspectiva inversa. Pegando nos vários Estados norte-americanos em que a legalização para uso medicinal já é uma realidade, a Organização Mundial de Saúde dá sustento a esta realidade.

Numa nota em que a OMS afirma ter conduzido uma recolha científica robusta sobre os efeitos do uso medicinal da marijuana, a mesma organização subscreve as deliberações do referido comité sobre o Cannabidiol. Os efeitos terapêuticos em pessoas com ataques de epilepsia ou relacionados são os destaques principais. Mas o facto de não ter sido detectada uma dose letal deste componente ou uma dose que causasse dependência são os principais argumentos a favor do uso do CBD.

Na mesma nota, a OMS, não deixa de fazer menção ao potencial de dependência causado pelo THC, mas reitera que não vê motivos para um controlo especial desta substância, apontando para Maio de 2018 uma revisão ainda mais completa e holística desta indicação terapêutica.