Artista africana de 63 anos ganha prémio de Artes Visuais no Reino Unido, sabes porque é inédito?

A história colonial e as razões pelas quais o racismo persiste no mundo estão entre os assuntos que a artista aborda na sua obra.

Até 2016 este prémio tinha sido sempre entregue a artistas europeus com menos de 50 anos. Este ano, Lubaina Himid, africana, nascida na Tanzânia, de 63 anos veio contrariar a tendência e assinalar um novo marco: é também a primeira mulher negra a ver o seu trabalho distinguido pelo famoso prémio de arte contemporânea.

Lubaina concorria com o pintor inglês Hurvin Anderson, o alemão Andrea Büttner e a cineasta Rosalind Nashashibi pela distinção que se destina a premiar o trabalho no campo artístico.

Nascida em 1954, em Zanzibar, Tanzânia, estudou Design de Teatro na Universidade de Wimbledon, a vencedora é conhecida pelos seus pratos de jantar pintados com aristocratas a vomitar. A história colonial e as razões pelas quais o racismo persiste no mundo estão entre os assuntos que a artista aborda na sua obra. O júri do prémio salientou o modo não alinhado como enfrenta estes assuntos, notou em comunicado o diretor da Tate Britain, Alex Farquharson.

Lubaina agradeceu aos críticos e curadores que a apoiaram ao longo dos anos, “anos selvagens“, como os descreveu.

Visto até agora como um prémio destinado a premiar jovens artistas, em que até existia uma cláusula para que os nomeados não tivessem mais de 50 anos, o comité organizador do Turner fez uma mudança de direção este ano ao selecionar dois artistas com mais de 40 anos, outro com mais de 50 e uma mulher com mais de 60 para a short list final.

O prémio, entregue anualmente, chegou mesmo às mãos de Lubaina Himid ao som da música de Goldie. A cerimónia teve lugar na igreja de Hull Minster, em Inglaterra.

O prémio de arte contemporânea Turner foi fundado em 1984 e batizado com o nome do pintor J.M.W Turner. Os artistas recebem 25 mil libras e os finalistas 5 mil. É o mais relevante galardão da área no Reino Unido e, nos anos 90, deu visibilidade à geração dos chamados Young British Artistas, distinguindo nomes como Damien Hirst e Tracey Emin.

Até 7 de janeiro, uma exposição com o trabalhos finalistas do Turner pode ser vista na galeria Ferens, na cidade de Hull, onde decorreu a cerimónia de entrega do prémio. A exposição, aberta desde Setembro, já foi vista por 90 mil pessoas.

 

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