Por que é que o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel é errado?

O grupo Hamas já apelou a uma revolta popular contra a declaração do presidente dos EUA.

Donald Trump reconheceu, esta quarta-feira, Jerusalém como capital de Israel e exigiu a mudança da embaixada de Telavive para a Cidade Santa. Segundo o presidente dos EUA, esta mudança já vem “muito atrasada”.

A declaração de Trump foi recebida com apreensão pela comunidade internacional, que reconhecem esta decisão como um entrave às conversações de paz entre palestinianos e israelitas.

O grupo palestiniano Hamas já convocou uma intifada (revolta popular) contra este posicionamento e Israel. “Devemos trabalhar no lançamento de uma Intifada contra o inimigo sionista”, disse o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, em Gaza. Também o exército israelita se encontra a preparar o terreno da Cisjordânia com recursos militares para eventuais conflitos na zona.

O anúncio de Donald Trump quebra a posição neutra que EUA mantinha há décadas sobre o estatuto de Jerusalém, sendo a primeira nação a quebrar a decisão que a ONU tomou em 1980, e que defende que a questão sobre a quem pertence a Cidade Santa deve ser decidida através de conversações para a negociação de paz.

A decisão de mudar a embaixada em Telavive já havia sido reconhecida pelo Congresso em 1975, mas foi sempre adiada pelos presidentes que governaram até então (Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama).

A última declaração polémica de Trump parece desmentir as palavras do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Rex Tillerson, feitas na quarta-feira, que assegura que o presidente dos EUA está empenhado no sucesso do processo de paz no Médio Oriente.

Segundo o embaixador Seixas da Costa, em entrevista à Rádio Renascença, este anúncio de Donald Trump aconteceu sobretudo para desviar as atenções aos problemas internos daquela nação. “Não há nenhum elemento de natureza racional que sustente aquilo que Trump disse no seu próprio discurso, no sentido de dizer que isto é um elemento para a paz. Não é. Esta é uma contribuição para a guerra, se ela vier a ter lugar”, concluiu.

O conselho de segurança da ONU reúne-se esta sexta-feira a pedido de oito países que já se pronunciaram contra a decisão dos Estados Unidos: Bolívia, Egipto, França, Itália, Senegal, Suécia, Reino Unido e Uruguai.

O que representa Jerusalém?

Já na terça-feira, quando surgiram alegações de que Trump se preparava para reconhecer Jerusalém como capital de Israel, o Rei Abdullah, da Jordânia, assegurou que a decisão teria, sem margem para dúvidas, “repercussões perigosas na segurança e estabilidade” do Médio Oriente. A Cidade Santa é lugar de culto para muçulmanos, judeus e católicos, de modo que a sua integração definitiva em Israel gera discórdia entre várias nações.

Jerusalém é o local sagrado para palestinianos e israelitas, mas também palco de conflitos. O seu estatuto é a grande razão pela qual todos os esforços para a paz feitos até ao momento saíram minados.

Apesar de Israel assumir a Cidade Santa como a sua capital, a Palestina revindica Jerusalém Oriental. Por isso, na partilha do solo palestiniano entre árabes e judeus pela ONU, em 1947, a cidade foi considerada como “corpus separatum”, permanecendo sob controlo internacional. Desde então, a revindicação daquele lugar sagrado tem legitimado vários conflitos e ataques entre as duas nações vizinhas.

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