Governo italiano repreende Ryanair por ameaçar trabalhadores

Numa nota enviada pela Ryanair ao seu pessoal de serviço, a empresa irlandesa deixava implícita uma ameaça aos trabalhadores que fizessem greve.

Pilotos e comissários de bordo da companhia aérea low-cost Ryanair, empregados em Itália, tinham anunciado na semana passada uma greve para o dia 15 de Dezembro, depois de lhes ser negada uma reunião com a administração da empresa. A multinacional de aviação não terá gostado do pré-aviso de paralisação de quatro horas e endereçou uma carta aos trabalhadores, tentando dissuadi-los da sua intenção.

Na nota enviada pela Ryanair ao seu pessoal de serviço, vinha implícita a ameaça da perda de horários para qualquer equipa em que faltasse apenas um trabalhador. O aviso – ou ameaça – não caiu bem no seio do Governo italiano por desrespeitar o direito constitucional à greve e o Ministro do Trabalho italiano, Giuliano Poletti, foi pronto a classificar a acção da empresa irelandesa como “uma vergonha extremamente grave”.

A esta reação somou-se a do Ministro do Desenvolvimento Económico, Carlo Calenda, que deixou, em declarações aos jornalistas citado pela Lusa, um aviso à companhia irlandesa que pode valer para outras: “É indigno. Não é o meu domínio de competência, mas penso que é preciso intervir. Não podemos estar no mercado e beneficiar apenas das vantagens sem respeitar as regras.”

O diferendo entre os trabalhadores e a administração da empresa agravou-se pelo facto de a Ryanair não reconhecer a representação sindical dos pilotos, dificultando reivindicações e melhorias contratuais em todos os países de actuação.

Em Portugal, a situação é semelhante, com o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil a confirmar ainda esta quarta-feira uma greve para o dia 20 de Dezembro. Irlanda e Itália devem seguir o protesto e a Associação Alemã de Pilotos já alertou que pode seguir o mesmo caminho em solidariedade com os homólogos dos outros países.

Recorde-se que, nos últimos meses, a vida da companhia aérea tem sido marcada por adiamentos e cancelamentos constantes, evidenciando eventualmente falta de pessoal ou um escalonamento errado.