Porque é que o Apple Maps não consegue apanhar o Google Maps?

Um ensaio fascinante sobre as diferenças entre os dois serviços de navegação. Tudo se resume a dados.

Comparação entre Google Maps e Apple Maps

Em 2012, a Apple decidiu deixar de usar o Google Maps por definição no sistema operativo iOS e lançou um serviço concorrente de navegação, chamado Apple Maps. A decisão foi criticada pelos utilizadores, que consideravam o Apple Maps inferior à oferta da Google, e que só voltaram a ficar descansados quando o Google Maps regressou aos seus iPhones através de uma nova app.

Ao longo dos anos, o Apple Maps foi sendo aperfeiçoado e já é preferência de alguns utilizadores. Contudo, a Google continua a ter uma grande vantagem sob a Apple: dados, resultado da experiência que acumulou no que toca ao mapeamento dos locais na última década. “Temos feito comparações com o Google Maps e o Apple Maps em Nova Iorque, São Francisco e Londres – mas algumas das maiores diferenças estão fora das grandes cidades, explica Justin O’Beirne, que escreveu um excelente artigo no seu blogue sobre os dois sistemas concorrentes.

Justin O’Beirne é um cartógrafo que ajudou no desenvolvimento do Apple Maps, pelo que é alguém em cuja opinião podemos confiar. Num artigo intitulado “Google Maps’ Moat” (isto é, “O Fosso do Google Maps, numa tradução literal), Justin explica que “a Google reuniu tantos dados, em tantas áreas, que está agora a processá-los em conjunto e a criar ferramentas que a Apple não consegue fazer – criando um fosso de tempo à volta do Google Maps”. “Faz-nos pensar há quanto tempo a Google estava a planear isto tudo – e o que está a planear no futuro”, acrescenta.

O especialista dá como exemplo a sua terra-Natal, Illinois, nos Estados Unidos, onde o Google Maps oferece muito mais pormenores que o Apple Maps. A Google, ao contrário da Apple, consegue detalhar as formas de edifícios e identificar estruturas mais pequenas, como garagens, telheiros e até caminhos de terra-batida. A vantagem da Google não se resume aos centros rurais, mas também às grandes cidades. Eis a diferença entre os dois mapas na Universidade de Chicago:

O segredo do gigante motor de buscar está no reconhecimento das imagens aéreas, captadas por satélites, e das fotografias feitas pelos carros do Street View e na conversão das formas dos edifícios e restantes estruturas através de algoritmos e de técnicas de visão computacional. “Quanto tempo vai demorar até a Google ter todas as estrutura da Terra?”, pergunta Justin O’Beirne. No fundo, a tecnológica de Mountain View está a gerar dados para o Google Maps através de dados obtidos por outros dos seus produtos, seja das imagens de satélite, seja do Street View.

Justin diz que as diferenças não se resumem a uma comparação entre a Google e a Apple, mas com outros serviços de mapas, como o do Bing/Microsoft, o da Nokia ou o da TomTom.

Todos estes esforços podem ajudar a Google a oferecer aos utilizadores um melhor sistema de navegação para quando estão na estrada. Carros autónomos ou veículos tradicionais que recorram ao Google Maps podem levar-nos exactamente até ao edifício onde queremos ir. Isto pode ser especialmente vantajoso para plataformas como a Uber, a Cabify ou a MyTaxi, que não só podem conseguir saber melhor onde estão os seus clientes como onde é o seu destino. A Google poderá ainda beneficiar directamente de tudo isto através da Waymo, a sua frota de carros autónomos que deverá ter o seu próprio serviço de transporte “à lá Uber”.