‘Pai Nosso’, do bairro para o mundo a história de um promissor DJ nacional

Uma oportunidade única de explorar a realidade e motivações de um movimento emergente ao nosso lado.

A atenção internacional para as formas de expressão dos subúrbios lisboetas já não é novidade nenhuma. Depois do fenómeno Buraka Som Sistema, muitos foram os nomes que lhes seguiram as pisadas na internacionalização, virando os ouvidos de todo o mundo para os guetos nacionais onde se reduzia alguma da música de dança mais inovadora no panorama internacional.

A extinção dos Buraka não apagou a chama e agora é especialmente na editora Príncipe que se depositam, por um lado esperanças, por outro as atenções. A mais recente prova dessa atenção é o mini-documentário feito pela conceituada revista The Fader sobre o produtor português DJ Firmeza.

Num registo emotivo, com uma realização que nos aproxima dos protagonistas, é da autoria de Clayton Vomero, Pai Nosso, e explora o lado mais íntimo e reservado do artista português tendo como base as imagens do bairro e do seu quotidiano.

São 22 minutos e 22 segundos em que acompanhamos de perto este fenómeno nacional na sua exposição perante o mundo, descobrindo também nós realidades desconhecidas ou escondidas. O resultado é um misto de reportagem com conversa circunstancial onde para além dos temas lógicos e das grandes questões sobre a música, surgem pontualmente em conversa temas tão importantes como as dificuldades de legalização dos emigrantes em Portugal, a necessidade de emigrar ou a sua relação com a igreja.

O trabalho da Fader é uma oportunidade única de explorar a realidade e motivações de um movimento emergente ao nosso lado. Questões simples ganham uma dimensão transformadora. Dividido em 3 partes debruça-se gradualmente sobre as diversas facetas da vida do músico, desde os seus objectivos a longo prazo, como a sensação que o leva a produzir.

Para quem não tem contacto directo com as realidades bairro, tão comuns em Portugal, o mini-documentário funciona também como uma inside View perfeita para o ambiente criativo e festivo que se vive em zonas por vezes manchadas por preconceito como o caso do bairro da Quinta do Mocho.

O trabalho tem a assinatura de Clayton Vomero, um fotógrafo e realizador baseado em Nova Iorque e que se deixou nesta peça audiovisual encantar pelo particular e rico cruzamento que a multiculturalidade nacional proporciona. Inspirado pela tradição da saudade e pela efervescência das batidas, Vomero, assinou um belíssimo documentário quer do ponto de vista estético, quer no campo do valor informativo, oferecendo uma perspectiva sóbria e honesta de um local e realidade tantas vezes alvo de preconceitos.

O vídeo pode ser visto aqui e o trabalho completo lido online na página da publicação. 

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