A banda sonora de 2017: o melhor do ano em 6 horas de música

Uma espécie de banda sonora universal, para todos os gostos e de todas as geografias como a música que se escuta actualmente. 

Condensar um ano inteiro num top é mais do que uma tarefa ingrata para quem se propõe a cumpri-la, um modo injusto de reflectir sobre a música que é editada ao longo de 365 dias. A internet escancarou a porta por onde cada ano que passa entram mais artistas a mostrar o seu trabalho, e se já há muito se fala da morte do formato CD, aqui propomos que se matem os tops. Porque um ano pode culminar em mais do que uma classificação altamente subjectiva de trabalhos artísticos e porque a arte merece mais do que ser ordenada tendo como critério o ano de lançamento, este ano decidimos abrir espaço para todos. Assim, reunimos numa playlist com perto de 7 horas de música algumas das nossas preferências que com certeza teriam lugar nos tops e outros temas que vão ficar para sempre no registo do ano. Uma espécie de banda sonora universal, para todos os gostos e de todas as geografias como a música que se escuta actualmente. 

É de entre essa extensa lista possível encontrar clusters de semelhança, maior proveniência de determinada geografia ou a ascensão de um ou outro género e esses são os verdadeiros elementos compositores de um top numa altura tão produtiva para a indústria musical. Se é difícil dizer com exactidão ou com provas, que o número de músicas editadas é cada vez maior ao longo dos anos, é fácil perceber que a quantidade de estímulos musicais vai crescendo. Não só isso, como a quantidade de canais onde emergem os fenómenos. Se o Youtube é claramente dominado pela tendência Hip Hop, outras particularidades caracterizaram o ano 2017 para os fenómenos musicais que aqui compilámos. Destacamos algumas das evidências e deixamos outras conclusões para o ouvinte.

Hip Hop de todos os tipos 

Se há coisa que caracteriza o rap é a sua elasticidade. A bem dizer, há rap para quase todos os gostos e feito por pessoas dos mais diversos contextos e é isso que torna este género tão especial. Do rap americano (Kendrick, Vince Staples) ou britânico (Stormzy, Loyle Carner), 2017 foi um ano marcado pelos beats. Portugal não é excepção a esta tendência e 2017 confirmou alguns dos nomes emergentes – Slow J e Wet Bed Gang que lançaram os seus primeiros discos com boa receptividade e houve tempo para muito mais. Os Orelha Negra lançaram o aguardado disco e não desiludiram, Sam the Kid e Mundo Segundo têm mantido a chama acesa e até Valete está a regressar aos poucos.

Do Brasil

Talvez em resposta directa ao momento social agitado do Brasil chegou-nos muita e boa música durante 2017, confirmando uma tendência que tem crescido de ano para ano. Criolo virou-se temporariamente para o samba mas não deixou o rap em más mãos, Froid, Don L e Rincon Sapiência são alguns dos exemplos do hip hop de qualidade que se editou ao longo do ano do outro lado do atlântico. E não foi só de bom hip hop que se fez a conexão lusófona transatlântica, toda a cena musical brasileira está efervescente e merece a escuta. Kiko Dinucci, Rodrigo Campos, Tim Bernardes foram algumas das escolhas entre confirmações e surpresas vindas do Brasil.

Jazz e Experimental

Já por cá falámos de como a nova geração está a dar nova vida ao jazz e em 2017 temos mais uma prova disso. Ao vivo tivemos os Badbadnotgood a dar uns dos concertos do ano, em streaming 2017 foi o ano de discos de Thundercat e Kamasi Washington – malta que trabalha com Kendrick Lamar. Também em Portugal o jazz está vivo e a dar cartas, com João Barradas, o jovem acordeonista português a fazer as delícias da crítica internacional.

 

Muitas outras coincidências, tendências ou padrões podiam ser traçados entre as faixas, artistas e projectos que compõem esta extensa lista musical. A presença de nomes de festivais, a nova geração de cantautores nacionais como Luís Severo ou Benjamin, álbuns incontornáveis de nomes clássicos como LCD Soundsystem ou Björk ou as presenças que se vão tornando hábito de, por exemplo, Courtney Barnett e King Krule são alguns dos condimentos destas 6h46min de música.