No Natal, há muito cinema na televisão, mas nem sempre a programação satisfaz as tuas preferências ou as da tua família. Felizmente existem alternativas no Netflix ou Filmin. Este último é um serviço de streaming dedicado ao cinema independente/de autor – aquele cinema que não passa nos circuito da NOS e que, por isso, tem uma distribuição limitada a nível nacional.

É por isso que o Filmin tem um propósito muito nobre. Faz chegar a todo o país, através da internet, os filmes que só podem ser vistos nas grandes cidades, em salas como o Monumental (Lisboa) ou o Trindade (Porto). O Filmin custa 6,95 euros/mês mas agora existe uma subscrição anual de 55 euros, estando disponível em telemóvel, computador e televisão (através de smart TVs Samsung ou de Chromecast). A subscrição – mensal ou anual – dá-te acesso a mais de 500 títulos, mas não a todo o catálogo. Alguns filmes são mais caros por serem estreias e só podem ser alugados individualmente como num videoclube tradicional.

Nesses casos, podes fazer o aluguer do filme na página do mesmo, pagando o valor estipulado (entre 2,95 e 3,95 euros) ou utilizando um vale previamente comprado. Podes comprar pacotes de 20 vales por 59 euros e de 5 vales por 16 euros, sendo que dão para qualquer filme independentemente do valor. Os filmes que estão incluídos na subscrição também podem ser alugados à unidade durante 72 horas.

Explicando o Filmin, vamos ao que interessa: 15 filmes para veres online no aconchego do Natal. São sugestões nossas que podes encontrar facilmente no catálogo do Filmin. Para começar, sugerimos um pequeno aperitivo: Inventário de Natal, uma curta de 23 minutos de Miguel Gomes que reúne quatro gerações e dois cães.

Natal em família

Filmes consensuais, temáticas mainstream e que interessam a qualquer um. Sobre relações entre pessoas, a todos os níveis.

Dheepan (2016)

Ganhou o festival de Cannes em 2015, Dheepan trata a problemática da imigração, num thriller potente e brutal. Realizado por Jacques Audiard, o filme segue um antigo soldado, uma jovem mulher e uma menina que praticamente não se conhecem mas que, para escapar à Guerra Civil do Sri Lanka, vão tentar construir uma vida juntos.

Boulevard (2016)

É o último filme de Robin Williams. Em Boulevard, o actor falecido em 2014 interpreta Nolan, um homem com uma vida confortável entre o trabalho no banco e o casamento com Joy, com quem dorme em quartos separados. Mas, uma vez, ao regressar a casa, Nolan dá boleia a Leo, um jovem prostituto. Esta amizade vai trazer ao de cima um lado que Nolan tinha reprimido toda a sua vida, fazendo-o decidir como voltar a ser feliz.

Le Havre (2012)

A prova de que podemos rir de coisas sérias é Le Havre, de Aki Kaurismaki. Como um tom muito próprio, o realizador finlandês conta-nos a história de um jovem africano, recém-chegado à região francesa de Le Havre num contentor e que é acolhido por Marcel Marx, um engraxador de sapatos e um antigo escritor, e também conhecido boémio.

Louder Than Bombs (2016)

Quem não gosta de um bom drama em família? Tudo a chorar debaixo das mantas. Louder Than Bombs é um filme triste sobre Gene Reed, pai de Jonah e de Conrad, o mais novo e um jovem excessivamente reservado. Os três tiveram de lidar com a morte prematura da mulher/mãe Isabelle e reúnem-se, três anos depois, para preparar uma exposição em sua homenagem. Com os três na mesma casa, Gene tenta desesperadamente recuperar o contacto com os dois filhos, mas todos têm dificuldade em conciliar os seus sentimentos sobre a Isabelle que recordam de forma tão diferente.

Os Maias (2014)

Um clássico da literatura portuguesa de Eça de Queiroz foi adaptado para cinema por João Botelho. Os Maias é um bom drama para ver em família. Escrito pelo genial Eça de Queiroz, grande, melodramático, divertido e melancólico, aponta um destino sem remédio, tanto para a família Maia como para Portugal.

45 Years (2015)

Casados há 45 anos e sem filhos, Kate e Geoff Mercer preparam-se para celebrar o seu aniversário de casamento com uma festa, quando Geoff recebe uma carta a informá-lo da morte de Katya, a mulher com quem ele namorou antes de Kate. 45 Years é um filme sobre o tempo que passa e os que vamos deixando para trás.

Um serão diferente

Temas pesados, documentários e filmes que provavelmente não esperavas ver no Natal.

Black Cat, White Cat (1998)

Adaptado de um romance dos anos 1930, da autoria do escritor russo Isaac Babel, Black Cat, White Cat conta a história de um grupo de ciganos que habita à beira do rio Danúbio. Matko, o Cigano, vive de pequenos negócios escuros com os russos. O seu primeiro grande trabalho é desviar um comboio que transporta gasolina de Belgrado com destino à Turquia. Mas o assalto corre mal e Matko vê-se em problemas com Dadan, o padrinho da comunidade, a quem pediu dinheiro.

As 1001 Noites (2015)

É a obra-prima de Miguel Gomes. Dividido em três volumes, estão os três disponíveis no Filmin e são precisas 9 horas para serem vistos os três. “O Inquieto” é o primeiro capítulo d’As 1001 Noites, uma saga que tem um Portugal em crise como pano de fundo, espaço de onde o realizador foge cobardemente para mergulhar n belo lugar de Xerazade.

The Salt of the Earth (2015)

Nos últimos 40 anos, o fotógrafo Sebastião Salgado viajou por todos os continentes, na peugada de uma humanidade sempre em mutação. A vida e o trabalho de Sebastião são-nos revelados em The Salt of the Earth pelo filho, Juliano, que o acompanhou nas suas últimas viagens, e por Wim Wenders, também ele fotógrafo.

José e Pilar (2010)

Saramago não seria dado a esta lista nem grande fã da tradição, tudo nos leva a crer. Ainda assim, o serão natalício pode ser uma excelente oportunidade para ver ou rever o documentário que acompanha o dia-a-dia do casal em Lanzarote e Lisboa, na sua casa e em viagens de trabalho por todo o mundo. José e Pilar é um retrato surpreendente de um autor durante o seu processo de criação e da relação de um casal empenhado em mudar o mundo – ou, pelo menos, em torná-lo melhor.

Fechado no quarto

Depois do serão em família, um filme para a digestão. Recomendam-se os dramas fortes e provocadores.

The Smell Of Us (2016)

Depois dos brilhantes retratos sobre o lado mais auto destrutivo da juventude, KidsKen Park, Larry Clark volta à fórmula de sucesso. O cenário desta vez é Paris e a narrativa é guiada por um grupo de amigos skaters. Radical e genuíno, The Smell Of Us, mostra uma juventude que vive o instante, as noites “juventude, sexo, drogas e rock’n’roll”.

Le Haine (1995)

Coincidência ou não, Le Haine de Mathieu Kassovitz também se debruça sobre um grupo de jovens parisiense. Neste caso, um grupo multicultural, composto por três jovens sem perspectivas de futuro, que vê as suas diferenças evidenciadas num episódio de violência policial. Um filme poderoso e provocador sobre os choques culturais e as tensões raciais em França. Le Haine obteve uma recepção excelente da crítica e do público em França, destacando-se como uma das obras chave do cinema francês da década de 1990.

Bang Gang: A Modern Love Story (2015)

É Natal mas também é final de ano e ,talvez por isso, há tendência para a selecção de filmes reflexivos sobre a geração. Bang Gang: A Modern Love Story é mais um desses casos. George, uma rapariga bonita de 16 anos, apaixona-se por Alex. Para chamar a sua atenção, George inicia um jogo colectivo com os seus amigos, no qual todos vão descobrir, testar e expandir os limites da sua sexualidade.

Montanha (2015)

Um verão quente em Lisboa. David, 14 anos, aguarda a morte iminente do avô, mas recusa-se a visitá-lo, temendo esta perda terrível. A mãe, Mónica, passa as noites no hospital. O vazio causado pela falta do avô obriga David a tornar-se o homem da casa. David não se sente pronto para assumir este novo papel, mas o fim da infância aproxima-se sem que ele se aperceba… É assim, Montanha, o primeiro grande trabalho de João Salaviza.

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