Urban Beach é pretexto para piada com a “ascêndencia indiana” de Costa

Francisco Rodrigues Dos Santos, líder da Juventude Popular, perdeu um óptimo momento para estar calado.

Como é habitual em assuntos que ganham a dimensão nacional ou o mediatismo televisivo, de todos os quadrantes surgem reações diversas, díspares e, a inevitável instrumentalização dos assuntos de um lado e de outro das barricadas políticas. As redes sociais tornaram este fenómeno ainda mais evidente, mais participado e, sem dúvida, mais superficial. Os discursos escritos ou as intervenções ponderadas dão lugar, no mundo online, a piadas simplistas que escondem a sua intenção, geralmente provocadora, e os preconceitos em que assentam, no habitual chavão da ironia.

Francisco Rodrigues Dos Santos, líder da JPP, foi um dos últimos protagonistas a seguir este caminho. Em reação ao encerramento da discoteca Urban, por parte do Governo, o líder da juventude popular, decidiu partilhar com os seguidores a seguinte mensagem:

“O karma vingou-se. Urban foi barrado de Lisboa por um tipo moreno de ascendência indiana.”

Da mensagem com pouca substância destacam-se duas premissas estranhas para um político. A primeira o facto de entregar à figura do karma a responsabilidade dos factos, a segunda por pessoalizar a decisão do estado “num tipo moreno de ascendência indiana” numa alusão a António Costa.

 

O karma vingou-se. Urban foi barrado de Lisboa por um tipo moreno de ascendência indiana.[Nota de rodapé para os espí…

Publicado por Francisco Rodrigues Dos Santos em Sexta-feira, 3 de Novembro de 2017

 

O que para Francisco era apenas ironia não foi entendido com a mesma neutralidade para toda a gente – afinal de contas trata-se de uma afirmação pública da figura principal de uma juventude partidária. As reações negativas incessantes motivaram uma edição na públicação, 5h depois, em que Francisco reforça o carácter alegadamente cómico da sua intervenção. Justificando a sua escolha do diferenciador racial como uma forma de evidenciar os maus costumes e as práticas racistas e tentando demarcar-se de acusações de racismo fechando a publicação com a frase que repetiu em diversos comentários “Não ao racismo e à violência!”.

Nas caixas de comentários e desde que o caso se tornou noticia, originalmente no Observador, vários são os amigos de Francisco que surgem em sua defesa criticando os jornalistas. À crítica popular escapa a revista Sábado que se absteve de salientar o teor racial da publicação classificando-a como humor.

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