O recorde de votos negativos no Reddit vai para… a EA Games

Ganância e péssima acção de PR marcam momento negativo do lançamento de Star Wars Battlefront II

Os avanços tecnológicos dos últimos anos permitem as produtoras desenvolver jogos com gráficos realísticos, histórias imersivas e jogablidade sublime, como outrora seria impossível. Vivemos na era dourada dos videojogos! Contudo nem tudo são troféus de platina e por vezes a indústria dos videojogos tem de lidar com o descontentamento dos jogadores, podendo envolver-se em polémicas sensíveis e difíceis de controlar como sucedeu no lançamento de Star Wars Battlefront II.

Muito recentemente, a Electronic Arts bateu o recorde de rejeição num comentário do Reddit, com mais de 600 mil downvotes. Em resposta a uma reclamação sobre o recente e muito antecipado Star Wars Battlefront II, a empresa conhecida pela sua sede de capital foi dilacerada pelos jogadores que tiveram acesso à fase pré-lançamento do jogo. Em causa está o abuso da prática das microtransações, um sistema de compras de extras com dinheiro do jogo e/ou real. Regra geral esses extras tendem a ser meramente estéticos mas este não é o caso.

No modo multi-jogador, os jogadores podem controlar 3 tipos de classes básicas, podendo desbloquear personagens icónicas da saga Star Wars, como Luke Skywalker, Darth Vader, Han Solo, Kylo Ren, entre outros. O problema é que para se desbloquear um único herói – sem gastar dinheiro real – são necessárias cerca de 40 horas de jogo, segundo os cálculos de um redditor que testou o jogo. A resposta a este cálculo foi o já infame comentário:

“A intenção é proporcionar aos jogadores um sentido de orgulho e realização por desbloquear heróis diferentes.

Quanto ao custo, seleccionámos os valores iniciais com base nos dados do Open Beta e outros ajustes feitos nas recompensas de objectivos cumpridos antes do lançamento. Entre outras coisas, estamos a monitorizar diariamente as taxas médias de ganhos de crédito por jogador e ajustamos constantemente esses valores para garantir que os jogadores tenham desafios atractivos, gratificantes e, obviamente, acessíveis através da jogabilidade.

Agradecemos o feedback sincero e a paixão que a comunidade tem apresentado em torno dos tópicos actuais aqui no Reddit, nos nossos fóruns e em vários meios de comunicação social.

A nossa equipa continuará a fazer alterações e monitorizar os comentários da comunidade e respondendo a todos o mais rapidamente possível.”

Esta resposta ingénua gerou uma corrente de indignação tão avassaladora, com alguns fãs de Star Wars apelando à intervenção da Disney, que a EA viu-se forçada a baixar o preço dos heróis em 75% para tentar suster a revolta. Os comentários depreciativos contudo não se ficaram por aqui. Se em grande parte dos jogos online as microtransacções servem apenas para questões estéticas, no caso de Star Wars Battlefront II servem para melhorar deliberadamente as estatísticas das personagens, o que torna o modo multi-jogador desequilibrado e injusto para aqueles que preferem não gastar mais dinheiro para além da compra do jogo. O chamado pay 2 win (pagar para ganhar) consolidou-se com a chegada dos videojogos aos smartphones, tendo-se alastrado, de forma nefasta, às suas plataformas de origem.

Trata-se de uma óbvia jogada de capitalismo sujo acompanhada de uma péssima reacção do departamento de relações públicas da EA Games. Eem resposta e como prova da  competitividade e efervescência da indústria dos videojogos, a empresa Blizzard aproveitou-se desta escorregadela da EA para promover o seu famoso jogo Star Craft II, que se tornou grátis, através de um hilariante e provocador video.

Perante a reacção do público e esta óbvia provocação da concorrência, a EA decidiu remover temporariamente as microtransações, prometendo que iria procurar contornar esta situação e recompensar os jogadores e fãs da saga Star Wars.

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  • Frequentou a Universidade de Coimbra onde concluiu o Mestrado de Estudos Europeus e ganhou o bichinho da investigação e consolidou o vício da escrita. Posteriormente decidiu complementar os estudos em Aveiro, com o Mestrado de Marketing, área do qual já fora profissional numa multinacional e que agora trabalho como freelancer, onde procura ajudar as PMEs a contar as suas histórias e a crescer no mundo digital. Para além de perder imensas horas de sono a jogar, gosta ainda de escrever e tagarelar sobre cinema, videojogos e ocasionalmente política.

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