A política bi-mundial no Web Summit

Um defende o presidente em que acredita, o outro considera que o seu devia ser destituído.

Ainda no rescaldo do Web Summit, apresentamos-te uma visão especialista da política internacional. De um lado, Brad Parscale, o director da campanha digital de Donald Trump; do outro Mikhail Khodorkovsky, fundador da Open Russia. Numa espécie de spoiler, e à semelhança da Guerra Fria, existe uma rivalidade primordial entre a América e a Rússia. No ocidente uma realidade “tweetada” contrasta com um país de leste, cuja democracia disfarçada está à beira de eleições.

Brad Parscale: “Não há vencedor como aquele que ganha e não há derrotado como aquele que perde”

Um ano depois da eleição de Donald Trump como Presidente dos EUA, Brad não esconde o entusiasmo aos jornalistas: “Estou muito feliz, tenho estado muito feliz desde que ganhamos as eleições. Foi um momento muito importante para mim ver o nosso país ganhar. Continuo a considerar Trump uma lenda, uma grande pessoa para o nosso país.” E o slogan não muda: “Acredito na América primeiro!”

Considerado uma pessoa desprezível por muitos, Brad confessou que “muita gente não tinha fé em mim antes das eleições, mas eu ajudei-o a ganhar”. “Não há vencedor como aquele que ganha e não há derrotado como aquele que perde.” O estratega negou ter publicado notícias falsas durante a campanha de Trump, referindo que “não tem nada a ver comigo, não estamos no negócio das notícias, eu estava na empresa de criar material de marketing”.

Sobre o uso compulsivo do Twitter protagonizado por Trump, Brad referiu: “Já o disse imensas vezes: sou um fã do Twitter. Acho que ele deve tweetar o máximo possível, acredito que as pessoas querem ouvir coisas do seu líder, e qual é o melhor método do que falar directamente com elas?” 

Questionado acerca da política portuguesa, e apesar de defender não ser um expert no assunto, Brad defendeu que a metodologia norte-americana pode funcionar em todos os países do mundo, não obstante as diferenças legislativas.

Mikhail Khodorkovsky: “Mudem o sistema de dentro do sistema”

Mikhail é um democrata russo que se manifesta vivamente contra o Governo de Putin e as eleições que se avizinham. Avisa que “qualquer candidato que concorra contra Putin, não está de todo a agir por vontade própria”, mas sim a interpretar o papel que lhe foi atribuído para embelezar a fachada democrática da Rússia.

Um século passado da Revolução Russa, é preciso outra revolução para afastar Vladimir Putin do poder? “Aqueles que se lembrar da destruição causada pela Revolução Russa não querem outra. Houve demasiado sangue, demasiada destruição da economia”, disse.

Mikhail lamenta ainda que “para nosso arrependimento, as mudanças na legislação que foram introduzidas durante o reinado de Putin, distorceram de maneira tão significativa o sistema, que eu tenho uma grande dificuldade em imaginar como é que alguém vai conseguir mudar o sistema, através de dentro do sistema”. E completa: “Por outras palavras, para mudar a sério a Rússia, vamos ter de nos colocar, de uma maneira ou de outra, fora do quadro legal actual. Isso, não importa como o chames, é uma espécie de revolução.”

A emergência de uma revolução pacífica é uma prioridade para Mikhail, bem como uma alteração legislativa para corrigir as “muitas falhas na nossa constituição”.

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