Quando Pedro Rolo Duarte entrevistou o Shifter em 2015

A entrevista do Mais Novos Do Que Nunca, programa da Antena 1, ao Shifter.

Pedro Rolo Duarte, jornalista português, um dos melhores do seu tempo, deixou-nos esta sexta-feira, 24 de Novembro. Tinha 53 anos e lutava contra um cancro. Deixou também inúmeras entrevistas, registo para o qual dizem que tinha um especial talento. Uma dessas entrevistas é-nos muito especial porque foi feita a nós, Shifter, em Dezembro de 2015.

No programa Mais Novos Do Que Nunca, na Antena 1, Pedro Rolo Duarte falava com a “nova geração de portugueses”, aquela que vive “fora da caixa” (ou não, dizia ele), sobre os seus “projectos, sonhos ideias”. O Shifter foi um dos destaques do programa, através de uma entrevista com João Ribeiro, actual director editorial, e Rita Pinto, editora-chefe.

 

A entrevista, com um hora de duração, foi assim introduzida por Pedro Rolo Duarte:

Lugar comum, a imprensa em papel está a atravessar momentos dramáticos. Quebras de vendas e de receitas, empresas em reestruturação e com despedimentos à vista, como ainda agora vimos nos jornais Sol e Público, entre outros. E ninguém sabe muito bem como sair deste buraco negro, que não é sequer exclusivo de Portugal. Sabe-se, isso sim, que qualquer saída passa pelo digital, passa pelo online, pela internet; e já vai havendo experiências nesses domínios com algum sucesso. Ora, hoje, no Mais Novos Do Que Nunca fomos atrás de um desses casos, mas um caso especial. Uma revista ou um jornal online, como lhe queiram chamar, feita só por gente muito nova que se foi juntando quase por acaso. Hoje são mais de 40 e vivem com paixão a edição de uma publicação onde não ganham nada, um tostão sequer. Amor à camisola puro e um sonho: crescer ao ponto de poderem viver só do seu projecto.

A entrevista do Mais Novos Do Que Nunca ao Shifter está disponível também no RTP Play. João Ribeiro recorda, desta forma, o momento:

A única vez que falámos o Pedro tratou-me como se eu fosse gente e nunca o esqueci. Se calhar devia-lhe ter dito que foi mesmo gratificante ser assim tratado por alguém como ele. Já tinha aprendido que uma página pujada de pronomes é um texto de merda e aprendi mais uma lição sobre a difícil tarefa que é verbalizar tudo o que sentimos. Mesmo que nos pareça pouco é sempre demais o que fica por dizer.

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