As noites estão cada vez mais claras graças à poluição luminosa

Para além deste aumento em extensão, também a intensidade da poluição luminosa é superior em todas as áreas.

Credit: Data courtesy Marc Imhoff of NASA GSFC and Christopher Elvidge of NOAA NGDC. Image by Craig Mayhew and Robert Simmon, NASA GSFC.

Que a poluição é o assunto, provavelmente, do século não há margem para dúvidas. O aquecimento global marca a agenda e modela os nossos dias mas… não é o único impacto que o nosso estilo de vida enquanto sociedade está a causar a nível global e que por sua vez terá efeitos sobre o próprio.

Outro ponto importante e muito menos divulgado tem a ver com a poluição luminosa. O conceito que enunciamos levianamente para descrever porque mal vemos estrelas em metrópoles é mais importante do que pode parecer e a monitorização dos seus níveis mostra que, desde 2012, as nossas noites se estão a tornar cada vez mais brilhantes.

Através da análise de imagens noturnas de satélite, cientistas desvendaram um padrão de crescimento na área noturna iluminada na ordem dos 2,2% por ano. Para além deste aumento em extensão, também a intensidade dos focos é superior em todas as áreas – isto é as zonas iluminadas são cada vez mais brilhantes, pondo em causa a escuridão planetária. Como sintetiza o editor do jornal The Washington Post: “We’re losing more and more of the night on a planetary scale.”

Especialistas contactados pelo Gizmodo para comentar a situação foram peremptórios em enunciar os riscos desta realidade emergente. Apesar de não se saber ao certo o impacto que esta alteração pode causar, a claridade artificial pode ser um novo promotor do stresse. O problema não está, logicamente, na luz mas no facto de situações da nossa vida que faríamos em total escuridão agora serem cada vez mais difíceis de replicar.

Não se espera que a tendência se inverta nos próximos anos, a menos que haja uma mudança sistémica realmente disruptiva. Nesse sentido os cientistas alertam para a publicidade de a luz artificial aumentar até a um ponto em que globalmente mal distinguiremos a noite do dia.