Não chove. E Portugal está a sofrer uma seca extrema

De Norte a Sul do país, a seca extrema já atingiu 75,2% do território continental. Os restantes 24,8% estão em seca severa.

Depois dos incêndios, Portugal vê-se a braços com outro problema ambiental: seca. E a solução imediata seria a mesma: chuva. No Inverno de 2016/2017 pouco choveu e a precipitação ao longo deste ano foi também muito baixa. Está a ser um ano seco e quente. Aliás, o Verão foi mais quente e seco que o normal, e prolongou-se para os meses seguintes.

Segundo dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), cerca de 81% do país estava em seca severa e 7,4% em seca extrema a 30 de Setembro. Em Outubro a situação agravou-se: no final do mês, todo o território continental encontrava-se em situação de seca severa (24,8%) e extrema (75,2%). Tudo porque choveu 30% do valor normal. O Outubro de 2017 foi o mês de Outubro mais quente dos últimos 87 anos, ou seja, desde que há registos (1931), com um valor médio da temperatura média do ar cerca de 3 °C acima do valor normal.

Seca afecta rios e barragens

“As alterações de precipitação em Portugal tendem a ser muito negativas até final do século XXI, alerta o geofísico Pedro Matos Soares numa entrevista ao Expresso. Outros investigadores confirmam o cenário negativo, prevendo que estes níveis de seca possam durar 8 a 15 anos, afectando toda a Península Ibérica, com médias de chuva muito baixas e níveis elevados de seca nos rios Douro, Tejo e Guadiana.

El País fala em “mínimos históricos” nas reservas de água das bacias hidrográficas do Douro e do Minho. Os dados disponibilizados pelo Ministério da Agricultura espanhol, revelam que o Rio Douro está a 29,8% da sua capacidade total e o Rio Minho a 38,6%. A seca afetou ainda a nascente do rio Douro, nos Picos de Urbión, na província espanhola de Soria. O El Mundo afirma que a nascente, localizada a 2150 metros da altitude, está seca e nem descendo até aos 1800 metros de altitude se vê água por aquela zona.

Agricultura, o sector mais afectado

Em Portugal, agricultura é o sector que mais consome água. No entanto, os campos estão secos e, sem pastagens, e os alimentos para os animais escasseiam. Os produtores pecuários temem que as rações e palha não sejam suficientes. Como as chuvas de Outono nunca chegaram, as produções do próximo ano estão a ser afectadas, como conta o Observador. Até agora, é garantido que em 2018 terá menos cerejas, amêndoas e azeitonas. E se a chuva não tardar, vai faltar o milho e o arroz agulha nacional, porque não chegam sequer a ser semeados.

Os queijos da Serra da Estrela estão em fase incerta, a carne está numa situação crítica – como não há água para regar os campos, o alimento não cresce, o gado não come, fica sensível e fraco, e dá-se uma depressão na carne. O produtor tem de comprar rações para os animais e acaba por ficar em desvantagem na produção.

As castanhas, contrariamente aos anos anteriores estão pequenas e secas, porque não tiveram água para crescer. Assim como os dióspiros, que não tiveram água para ganharem sumo e perderem o bicho que teima em não sair da coroa. Ou então as laranjas, que também ficaram pequeninas. Ou as azeitonas que em pleno verão, ainda verdes, apresentavam sinais de secura. De uma forma geral, os legumes e a fruta deste 2017 estão a ser caracterizados pelos produtores como sendo “anões” em comparação com as outras colheitas.  Os frutos secos de Natal sofreram quer pela seca quer pelos incêndios; sobretudo os pinhões, que em circunstâncias normais vão ter um preço elevado, e hoje podem chegar aos 100 euros por quilo.

ALERTA!Hoje, dia 11/11, pelas 11h 30m, a barragem o Vergancinho apresentava este aspecto.Três imagens preocupantes de…

Publicado por Junta De Freguesia De Cardigos em Sábado, 11 de Novembro de 2017

Água falta às populações

Em Portugal, há falta de água também para as populações. Em algumas situações do país já há camiões a abastecer a rede pública, como é o caso de Viseu. E se na capital, a seca pouco se sente; a Câmara Municipal, anunciou medidas para reduzir o consumo de água em fontes e na rega de jardins, poupando a Barragem de Castelo de Bode, cuja água é bebida pelos lisboetas.

E o que é que nós podemos fazer? Fazermos um esforço de racionalização do nosso consumo de água, seja usando as máquinas de lavar só quando estiverem cheias, instalando redutores de caudal nas suas torneiras, aproveitar a água usada sempre que possível e fechar a torneira ou o choveiro quando não se está a precisar dela.