Maior plantação de cannabis em Portugal anunciada no Web Summit

O objectivo desta plantação é a exportação das plantas para países em que o aproveitamento para fins medicinais seja uma realidade.

Canábis plantação

A exploração e regulação da cannabis em Portugal dá-se cada vez mais a duas velocidades declaradas. Se no campo da regulação do consumo – para fins medicinais ou recreativos –  o tema tem caído cada vez mais no esquecimento e para fora do quadro de discussão política. No outro lado do espectro, da exploração comercial e da liberalização de grandes empresas para desenvolverem grandes plantações no nosso país, o negócio continua profícuo.

Quando nada o fazia necessariamente prever foi do palco do Web Summit que se ouviu a surpreendente notícia de que a maior plantação de canábis em território nacional começou a ser cultivada há duas semanas. O anúncio foi feito pelo presidente da empresa Tilray, responsável pelo investimento.

Brendan Kennedy revelou ainda, no seu discurso, que viajou pelo mundo, até escolher o Parque Tecnológico de Cantanhede como o local ideal para fazer florescer o seu negócio. Durante o verão tratou das diligências legais e entretanto as suas plantas, em princípio de desenvolvimento, já têm cerca de dez centímetros.

O objectivo desta plantação é, como noutros casos noticiados durante este ano, a exportação das plantas para países em que o aproveitamento para fins medicinais seja uma realidade como Alemanha, Croácia ou Chipre, já a partir dos próximos meses.

Estima-se que o investimento da Tilray em Portugal até 2020 atinja os 20 milhões e possa criar qualquer coisa como 100 empregos. Entre as potenciais vagas na empresa canadiana, João Moura, presidente do parque tecnológico de Cantanhede, destacou a possibilidade de investigadores portugueses do  integrarem este projecto. Afinal de contas, os recursos humanos qualificados e com experiência na área de produção agrícola terão sido pontos importantes na decisão – logicamente incentivada pelo clima altamente propício ao crescimento da planta.

Esta notícia levanta mais uma vez importantes questões sobre a forma como estas matérias de regulação dúbia devem ser tratadas. Numa altura em que tanto se fala sobre desaproveitamento dos solos e na necessidade de uma nova estratégia para a floresta nacional, parece que as empresas internacionais já perceberam em que alternativa se devem focar no nosso país. Outro ponto importante que se relaciona com as duas velocidades referidas no primeiro parágrafo aponta para a falta de regulação sobre o consumo dos derivados do que é produzido em Portugal – uma situação caricata e que privilegia as relações económicas em detrimento de um enquadramento legal e social justo e equalitário em produtores e potenciais consumidores.

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