A resposta para o cancro pode estar na extinção dos dinossauros

O Irídio é um dos metais em investigação para terapêutica oncológica e pode ser encontrado no asteróide que embateu no planeta Terra há cerca de 66 milhões de anos.

O Irídio foi descoberto pela primeira vez em 1803 e é o segundo metal mais denso que conhecemos. Este metal é muito raro na Terra, mas muito comum em asteróides que vagueiam pelo Universo. No nosso planeta podemos encontrá-lo na crosta terrestre, num extracto que remonta há cerca de 66 milhões de anos, e que muitos acreditam ser o asteróide que embateu na Terra e levou à extinção dos dinossauros.

Recentemente, este metal foi alvo de estudo, como arma de combate contra o cancro, numa colaboração entre as equipas do Professor Sadler e do Professor O’Conner do Departamento de Química da Universidade de Warwick, no Reino Unido, com a equipa do Professor Hui Chao da Universidade de Sun-Yat, na China.

Estes investigadores descobriram que o Irídio quando entra nas células cancerígenas é capaz de levar à sua morte, transformando a vulgar molécula de oxigénio (3O2) numa outra forma de oxigénio letal (1O2). Esta pequena alteração vai afectar processos metabólicos essenciais à natureza cancerígena das células, como o metabolismo da glucose e o metabolismo que permite a sobrevivência celular como resposta a temperaturas extremas.

Para além desta grande descoberta, estes investigadores conseguiram ainda formular um meio de https://staging2.shifter.pt/wp-content/uploads/2021/02/e03c1f45-47ae-3e75-8ad9-75c08c1d37ee.jpgistração do Irídio, integrado num composto orgânico, através de laser de luz visível vermelha. Este meio de https://staging2.shifter.pt/wp-content/uploads/2021/02/e03c1f45-47ae-3e75-8ad9-75c08c1d37ee.jpgistração, apesar de ser capaz de penetrar as camadas mais profundas de células, é minimamente invasivo, o que constitui uma das muitas vantagens deste novo método.

Nos vários experimentos houve ainda a necessidade de perceber o quão nociva seria esta nova abordagem para as restantes células saudáveis do organismo. Concluiu-se, então, através de várias experiências conduzidas em células de cancro do pulmão, que o composto orgânico de Irídio quando activado, é capaz de se difundir para outras células cancerígenas, levando à sua morte, mas sem afectar as células saudáveis adjacentes. Na verdade, todas estas experiências foram realizadas simultaneamente em amostras de células saudáveis, onde o Irídio mostrou não ter qualquer efeito, assegurando assim a segurança deste novo procedimento.

Todos estes novos desenvolvimentos com o metal Irídio assumem uma grande importância no mundo da Oncologia, uma vez que possibilitam a investigação de fármacos com novos locais de acção, contornando as resistências das células cancerígenas aos fármacos já existentes, com o mínimo de efeitos adversos possíveis. Actualmente já existem outros metais, como a Platina, como parte integrante de cerca de 50% dos fármacos utilizados em esquemas de quimioterapia. No entanto, o Irídio vem abrir uma nova linha de investigação muito promissora que pode vir a revolucionar o mundo da terapêutica oncológica a nível mundial.

O artigo original deste estudo foi distinguido como “artigo científico muito importante” e pode ser encontrado no Jornal Angenwandt Chemie.

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  • Interna de formação específica de Medicina Geral e Familiar, mas para além de médica sou também uma amante da ciência no geral. Leio livros de Medicina no trabalho e livros de Física nos tempos livres. Escrevo por isso sobre ciência, desde a grande Biosfera que é o planeta Terra, à mais pequena partícula como o electrão.

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