Como combater ataques informáticos com fita-cola

Tapar a nossa webcam com fita cola é bem mais do que uma mera paranóia

Com toda a certeza um amigo teu já gozou contigo por tapares a câmara do teu portátil com fita-cola. Possivelmente disse-te que era paranóia e que ninguém teria o mínimo interesse em espiar-te através do teu próprio computador. Bem, por mais absurdo que possa parecer, esse pequeno bocado de fita dá-nos algum sentido de controlo e, na verdade, até acaba por ser um meio eficaz de garantir a nossa segurança.

Camfecting é o nome dado à tentativa de acesso remoto a uma webcam sem o consentimento do utilizador. Um dos casos mais mediáticos deste tipo de ataque informático foi o da Miss Teen USA 2013, Cassidy Wolf, onde um grupo de hackers filmou e fotografou a jovem através da câmara do seu portátil, exigindo dinheiro em troca de não tornarem públicas as imagens que captaram de forma ilegal.

Foi um caso de invasão de privacidade muito severo que poderia ter sido prevenido com um pequeno bocado de fita. Por exemplo, o próprio fundador do Facebook, Mark Zuckerberg demonstra tomar as devidas precauções.

Mark Zuckerberg celebra 500 milhões de utilizadores mensagens no Instagram

É óbvio que tanto Cassidy como Zuckerberg são dois exemplos de alvos mais tentadores para os hackers, contudo, numa conferência do Centro de Estudos Internacionais e de Estratégia (CSIS), o ex-diretor do FBI, James Comey, admitiu tapar a câmara no seu portátil com fita-cola por ter visto que alguém mais inteligente que ele o fazia, deixando o aviso de que esta é uma medida simples e barata que qualquer pessoa deve ter para se proteger de possíveis ataques.

James Comey debate ameaças do séc. XXI no CSIS, Setembro 2016

Pode parecer algo estranho vindo de alguém que já ocupou um alto cargo numa agência de inteligência e investigação, mas para Comey tapar a câmara do portátil é algo tão importante como trancar o carro ou as portas de casa.

Reforçando a necessidade deste “mecanismo de segurança”, Tod Beardsley, diretor de cibersegurança da Rapid7 (empresa norte-americana especializada em segurança informática), explica que existem diversos tipos de bugs que permitem que um hacker tenha acesso à nossa webcam e possa gravar tudo o que vir através dela. Acrescenta ainda que estes bugs são mais comuns em plataformas Flash e Java, podendo inclusive já haver alguns em HTML5, e que os hackers conseguem inclusive desligar a lanterna da webcam para que não suspeitemos de nada.

Porém, quem possui um Macbook – como o Zuckerberg – pode ficar um pouco mais descansado. Ao contrário da grande maioria dos portáteis Windows, a luz da câmara de um Macbook é fortemente controlada pelo hardware e por isso torna-se mais difícil ligá-la remotamente sem que a luz se ligue também. Difícil, mas não impossível.

Há, contudo, quem tente tirar partido desta situação – de forma positiva e algo caricata – como é o caso da Eletronic Frontier Foundation, uma empresa de direitos digitais que vende stickers personalizados para podermos interditar o acesso remoto às nossas webcams com estilo.

Tapar a câmara com fita é apenas uma simples solução perante uma “falha” de segurança dos nossos portáteis, porém existem outros riscos, tais como os microfones ou as Clouds. Podemos sempre tentar abafar o micro, tal como fazemos com a câmara, mas a verdade é que continuam a ter potência suficiente para captar o som através da fita. Já os acessos indesejados às nossas Clouds são algo que não conseguimos controlar e as repercussões podem ir desde a perda total dos nossos dados ao usos destes de forma indevida, tal como o aconteceu em 2014, com o leak de milhares de fotos íntimas de celebridades.

Os perigos da Internet assumem diversas formas, mas pelo menos o acesso indesejado à nossa webcam já sabemos como atenuar.

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