Portuguesa Aptoide vai lançar uma criptomoeda para desafiar a Google

A Aptoide já é uma das maiores lojas de apps alternativas à Play Store. Agora quer lançar uma criptomoeda para revolucionar a economia de apps em todo o mundo.

Aptoide google

No iOS, a única forma de instalar aplicações é através da App Store ou por jailbreak, mas este último método pode ser complicado. No Android, existem alternativas à Play Store e podem ser instaladas facilmente nos dispositivos móveis. A Aptoide é uma dessas opções – é feita por uma empresa portuguesa e conta já com mais de 200 milhões de utilizadores em todo o mundo.

O duopólio Apple/Google

A existência da Aptoide é importante. A Apple e a Google não só são proprietárias dos dois sistemas operativos mais populares em telemóveis, como têm uma tremenda influência sobre as aplicações e serviços utilizados pelas pessoas. Na verdade, quase 100% dos smartphones vendidos em todo o mundo têm ou iOS ou Android, isto é, ou App Store ou Play Store.

Aptoide: uma das maiores lojas de apps Android é portuguesa.

Estas lojas são negócios bem lucrativos para as duas tecnológicas, uma vez que ficam com uma percentagens das transações que nelas são feitas pelos utilizadores, seja com a aquisição de aplicações ou com compras in-app. Por exemplo, desde que foi lançada em 2008, a App Store gerou 70 mil milhões de dólares para os programadores e deu à empresa da maçã 30 mil milhões.

Por outro lado, há as aplicações que vêm pré-instaladas nos sistemas operativos e que dão vantagem competitiva a serviços da Apple ou da Google relativamente a potenciais concorrentes – é o caso do Apple Pay ou iMessage no iOS, e do Google Assistant ou YouTube no Android.

Paulo Trezentos e Álvaro Pinto, fundadores da Aptoide.

Para instalares a Aptoide no teu smartphone, precisas de descarregar o APK através do site do projecto e instalá-lo manualmente. A loja desta empresa portuguesa, fundada em 2011 por Paulo Trezentos e Álvaro Pinto, distingue-se da Play Store pelo seu lado comunitário. Qualquer utilizador (ou marca) pode criar a sua própria loja dentro da Aptoide, destacando, por exemplo, as suas apps preferidas, e outros podem segui-la. Existe ainda um feed onde podes encontrar recomendações, bem como artigos e vídeos relacionados com as apps que já instalaste. Na Aptoide, vais encontrar as mesmas apps que encontras na Play Store mais aquelas que os programadores decidem publicar apenas nesta loja, que registou mais de 4 mil milhões de downloads desde que foi lançada.

Reinventar a economia de aplicações

Mas o principal factor diferenciador da Aptoide ainda está para chegar. Chama-se AppCoins e é uma nova criptomoeda que promete revolucionar o mercado de aplicações. Esta moeda digital, baseada em Ethereum e na tecnologia de blockchain, vai poder ser usada para programadores recompensarem os utilizadores por verem publicidade às suas apps na loja da Aptoide ou por experimentarem essas apps. Os utilizadores podem depois gastar o dinheiro que recebem para fazer compras dentro das aplicações (in-app), adquirindo, por exemplo, actualizações de jogos – uma alternativa especialmente bem-vinda para quem não tem acesso a meios de pagamento online. Desta forma, o dinheiro volta para as mãos dos programadores, que podem reinvesti-lo ou converter as suas AppCoins em dólares ou euros, por exemplo (os utilizadores nunca poderão levantar as suas AppCoins mas poderão transferir AppCoins entre si). Os programadores vão poder definir quanto tempo é necessário o utilizador contactar com o anúncio ou com a sua aplicação para ser recompensado e o valor que irá receber.

A economia circular das AppCoins.

No fundo, a Aptoide quer criar uma nova economia circular com a sua própria moeda – uma economia que, como assenta em blockchain, é descentralizada, não estando nas mãos de uma grande entidade. Uma economia que promova interacções entre programadores e utilizadores, compensando ambas as partes e até as fabricantes. A Aptoide entende que, se são telemóveis Samsung que permite aos utilizadores descarregar e usar as aplicações dos programadores, essa fabricante deve receber parte do valor da transacção feita em AppCoins. Outra fatia deverá ir para a loja de aplicações que proporciona este contacto, seja a Aptoide, a Play Store, a App Store ou outra – independentemente do sistema operativo. Isto porque, se numa primeira fase as AppCoins só deverão estar disponíveis na Aptoide, a empresa portuguesa prevê que qualquer loja ou aplicação possa integrar esta nova criptomoeda como meio de transacção.

Além de eliminar a intermediação excessiva no actual sistema publicitário das lojas de aplicações e de estimular as compras in-app, a Aptoide quer resolver outro problema com a AppCoin: melhorar os processos de aprovação de apps, permitindo a partir do historial de transacções dos programadores nas diferentes lojas estabelecer a sua reputação. Como todas essas informações passam a estar registadas numa base de dados que é partilhada entre as lojas que aceitem AppCoin, a Aptoide pretende acelerar o processo de validação para que uma determinada aplicação seja publicada nos diferentes canais de distribuição de uma única vez.

A Aptoide refere que a abordagem AppCoins resolva as principais deficiências da economia de aplicações, oferecendo um sistema global mais seguro e mais transparente que beneficia as lojas de aplicações, utilizadores e programadores. A solução cria uma mudança de paradigma para todo o ecossistema de aplicações, que actualmente gera mais de 77 mil milhões de dólares por ano em receita bruta. O mercado de aplicações é hoje um dos mercados online que maior crescimento apresenta, prevendo-se que, até 2021, alcance mais de 6 mil milhões de utilizadores e gere uma receita de 6,3 triliões de dólares em receita.

Financiamento em criptomoedas

Desde 2011, a Aptoide já arrecadou um milhão de dólares em fundos através da Portugal Ventures e quatro milhões de dólares em financiamento de série A pela e.Ventures, Gobi Partners e Golden Gate Ventures. Para lançar a AppCoin (que deverá chegar às mãos dos programadores no segundo trimestre de 2018 e à dos utilizadores no final desse ano), a Aptoide quer juntar 28 milhões de dólares através de um método pouco tradicional – Initial Coin Offering (ICO), um mecanismo de financiamento no qual os investidores apoiam um projecto em troca de determinado número de criptomoedas; neste caso, de AppCoins.

A Aptoide em números.

A Aptoide vai lançar esta segunda-feira, 6 de Novembro, abrindo 12% do total de tokens AppCoin para investidores. Durante esta fase, que decorrerá até dia 9, os membros da comunidade Android e outros grupos exclusivos vão ter a possibilidade de comprar os primeiros tokens de AppCoins, com um desconto de 30%. No segundo trimestre de 2017, os financiamentos através de ICO atingiram um recorde de 800 milhões de dólares e ultrapassaram, recentemente, o financiamento do capital de investimento de risco. O ICO da Aptoide será feito a partir da Singapura, onde a empresa portuguesa também tem escritório e onde os processos deste tipo já são comuns (ao contrário de Portugal).

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