Crise na UNESCO? EUA declara sair e Israel segue o exemplo

Fica a saber quais as últimas declarações da administração Trump, que abalaram a UNESCO.

Depois de ameaçar destruir a Coreia do Norte, a administração Trump direcciona agora uma ameaça à UNESCO e declara que até ao final deste ano os EUA vão sair da organização. Na causa desta decisão está um conjunto de decisões aprovadas pela UNESCO que não se revelam favoráveis aos interesses de Israel.

“Esta decisão não foi tomada de ânimo leve”, declarou em comunicado o Departamento de Estado norte-americano. Horas depois da decisão dos EUA se tornar pública, também o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que o seu país seguirá o mesmo caminho. O Departamento de Estado declara ainda que é urgente “uma reforma fundamental” na UNESCO, que tem abraçado um alegado “enviesamento anti-Israel”.

Apesar de a saída dos EUA ser certa, a administração Trump conta em participar e fornecer conhecimentos e perspectivas à organização como nação observadora permanente (isto é, non member), assim como o Vaticano, não tendo palavra nas tomadas de decisão. A directora-geral da UNESCO, Irina Bokova, já reagiu à decisão dos EUA e considera que se trata de uma posição que “dificulta ainda mais a missão [da organização] em reforçar a paz e a segurança internacionais contra o ódio e a violência, para defender os direitos e a dignidade humana”.

Bokova reconheceu ao The New YorK Times, através de uma entrevista por telefone, que o facto de a decisão ter sido anunciada a meio das eleições para um novo director-geral da organização é “estranho” e “lamentável”. Alguns meios de comunicação avançam que a possibilidade de a eleição do substituto ao cargo tender para Hamad bin Abdulaziz al-Kawari, ex-ministro da Cultura no Qatar, é uma das causas da saída dos dois países, por preferirem a escolha de um candidato mais próximo dos seus interesses.

Os EUA e Israel já tinham deixado de financiar a UNESCO em 2011, devido à quebra de acordo feito há 15 anos e que previa o corte completo de financiamento norte-americano a qualquer agência da organização que reconhecesse a Palestina como estado membro. Depois de dois anos sem efectuar qualquer pagamento à organização, os Estados Unidos deixaram de poder votar em 2013. Em termos financeiros mais concretos, a nação norte-americana fornecia 22% do orçamento global da UNESCO, o que equivale a 70 milhões de dólares anuais.

A este contexto soma-se como gota de água a integração da cidade velha de Hebron, localizada na Cisjordânia, na lista do Património Mundial da Humanidade, em Julho deste ano.

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